Meszáros, István. Educação para além do capital. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2008.
Educação para além do capital
O autor começa o livro dizendo que escolheu três epígrafes para antecipar alguns dos principais pontos a serem abordados em seu livro, o primeiro de um pensador do século XVI chamado Paracelso que diz "em contraste agudo com a concepção atual tradicional mas tendenciosamente estreita da educação":
"A aprendizagem é a nossa própria vida, desde a juventude até a velhice, de fato quase até a morte".
na mesma direção vai José Martí:
"La educación empieza con la vida, y non acaba sino con la muerte".
mas o mesmo mesmo acrescenta algumas restrições cruciais, "criticando duramente as soluções dadas pela nossa sociedade e assim coloca em perspectiva o nosso problema":
"Se viene a la tierra como cera, - y el azar nos vacía en moldes prehecho. - Las convenciones creadas deforman la existencia verdadera [...] Las redenciones han venido siendo formales;- es necesario que sean esenciales [...] La liberdad política no estará asegurada mientras no se asegura la libertad espiritual. [...] La escuela y el hogar son las dos formidables cárceles del homble".
O terceiro epígrafe das teses de feuerbach de Marx, como diz o autor, põe em evidência a linha divisória que separa os socialistas utópicos, como Robert Owen, daqueles que no nosso tempo têm de superar os graves antagonismos estruturais de nossa sociedade, pois estes antagonismos bloqueiam os caminhos para a mudança necessária.
Max:
"A teoria materialista de que os homens são produto das circunstâncias e da educação e de que, portanto, os homens modificados são produto de circunstância s diferentes e de educação modificada, esquece que as circunstâncias são modificadas precisamente pelos homens e que o próprio educador precisa ser educado. lava, pois forçosamente, a divisão da sociedade em duas partes, uma das quais se sobrepõe à sociedade (como por exemplo, Robert Owen). A coincidência da modificação das circunstâncias e da atitude humana só pode ser aprendida racionalmente como pratica formadora."
O autor destaca que tomando as três citações se enfatiza a urgência de se construir uma mudança estrutural que nos leve para além do capital.
Páginas 23 e 24
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A incorrigível lógica do capital e seu impacto sobre a educação
O autor começa afirmando que poucos negariam que os processos educacionais e os processos sociais mais abrangentes estão intimamente ligados, sendo assim a reformulação na educação é inconcebível sem transformações no quadro social no qual as práticas educacionais devem cumprir as vitais e historicamente importantes funções de mudança. O autor deixa claro que dentro do modo de produção que vivemos o que é possível é somente alguns ajustem, sem no entanto haver mudança inclusive no campo da educação de forma que sejam mantidas intactas as determinações estruturais fundamentais da sociedade como um todo, conforme as exigências inalteráveis da lógica global de um determinado sistema de produção.
Página 25
Seria um absurdo esperar, do ponto de vista da ordem feudal a hipótese de dominação dos servos contra os senhores da bem estabelecida classe dominante e o mesmo vale para a alternativa hegemônica fundamental entre o capital e o trabalho, sendo assim, mesmo que bem intencionadas intenções dos reformadores educacionais, é impossível que as utopias vinculadas aos autores reformadores da área da educação vinguem sem eliminar os fundamentos causais antagônicos profundamente enraizados.
A razão do fracasso de todas as alternativas anteriores dos reformistas, embora lúcidas estão reconciliadas com o capital.
Página 26
O autor cita Edward Berstein e seus colaboradores na tentativa de reformar o capital e diz que o capital é incorrigível por sua própria natureza e assim permanecerá mesmo que tipos de corretivos marginais lhe sejam aplicados.
"Do mesmo modo, contudo, procurar margens de reforma sistêmica na própria estrutura do capital é uma contradição em termos, é por isso que é necessário romper com a lógica do capital se quisermos contemplar a criação de uma alternativa diferente."
Página 27
Nesta parte para ilustrar que é impossível falar de um reformismo dentro do capital no que tange a educação o autor toma duas pensadores preocupados com a temática da educação, mas que escolheram o caminho de não romper com o capital e nestes dois ele tenta demonstrar em que falha sua teoria:
O primeiro foi Adam Smith que condenou de forma clara o impacto negativo do sistema sobre os trabalhadores ao dizer que o capitalismo
"Limita as visões do homem . Na situação que a divisão do trabalho é levada até a perfeição, todo o homem tem apenas uma operação simples para realizar, isso limita toda a sua atenção, e poucas ideias passam por sua cabeça, com exceção daquelas que tem ligação imediata [...] Estas são as desvantagens do espírito comercial. as mentes dos homens ficam limitadas, tornando-se incapazes de se elevar. A educação é desprezada, ou no mínimo negligenciada, e o espírito heroico é quase que totalmente extinto. Corrigir estes efeitos deveria ser assunto digno de uma séria atenção". [Smith, 17763, Lectures on justice, police, revenue, and arms]
Porém como destaca o autor, a preocupação de Smith significa muito pouco, se é que tem algum significado, já que o mesmo encontra solução culpando os próprios trabalhadores ao invez do sistema que lhe impõe esta situação infeliz:
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