sábado, 28 de maio de 2016

Resumo do Etapas do Pensamento sociólogico - Raymond Aron

Comprei o livro as etapas do pensamento sociológico e aos poucos vou tentar fazer o resumo da leitura na tentativa de resumir as partes que julgo as partes mais importantes.


ARON, Raymond. As etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo, 2007: Martins Fontes

Na introdução Aron fala de um encontro ou um congresso de sociologia, onde conversou com sociólogos soviéticos.
A primeira parte da introdução que me chamou a atenção:

"A sociologia empírica  norte-americana não constitui uma ideologia do Estado, menos ainda uma exaltação consciente e voluntária da sociedade norte-americana. Parece-me que os sociólogos norte-americanos são, em sua maioria, liberais - no sentido em que ali se usa o termo. São mais democratas que republicanos, favoráveis à mobilidade social e a integração dos negros na sociedade ou religiosa. Criticam a realidade norte-americana, em nome das ideias ou dos ideais de seu país; não hesitam em reconhecer os muitos defeitos, que como a hidra da lenda, parecem ressurgir sempre tão numerosos como na véspera da eliminação ou atenuação das folhas denunciadas anteriormente Negos poderão exercer agora o direito ao voto, mas o que significa este direito se os jovens continuam desempregados?Alguns estudantes negros entram na universidade, mas que importância tem estes acontecimentos simbólicos se, se em sua grande maioria, as escolas frequentadas pelos negros são de qualidade inferior?"
"Em suma, os sociólogos soviéticos são conservadores em relação a sua própria sociedade, e revolucionários com relação às demais. Os norte-americanos são reformistas quando se trata de sua própria sociedade e, implicitamente pelos  menos, com relação a todas as sociedades". 
                                                            Página  XIX

"Entre a sociologia marxista do Leste e a sociologia parsoniana do Oeste, entre as grandes doutrinas do século passado e as pesquisas parcelares em empíricas de hoje, subsiste uma certa solidariedade, ou, se preferimos, uma certa continuidade que existe entre Max e Max Weber, entre Marx Weber e Parsons, mesmo entre August Comte e Durkheim, ente este último, Marcel Maus e Claude Lévi-Strauss. Os sociólogos de hoje, são claramente, sob alguns aspectos, os herdeiros e continuadores daqueles que alguns chamaram de pré-sociólogos A  própria expressão pré-sociólogos evidência a dificuldade da investigação histórica a que me proponho. Qualquer que seja o objeto da história - instituição, nação ou disciplina científica - É preciso defini-lo, delimitá-lo, para acompanhar seu devenir."
                                                           Página XVIII  

"Quanto a mim, adotei uma definição que reconheço se vaga, embora não a considere arbitrária. A sociologia é o estudo, que pretende ser científico, do social como social, seja no nível elementar das relações  interpessoais, seja no nível microscópicos de vagos conjuntos, como as classes, as nações, as civilizações ou, para empregar expressão corrente, as sociedades globais.Esta definição permite mesmo compreender como é difícil escrever uma história da sociologia, onde ela começa e termina.Há muitas maneiras de apreende a intenção científica e o objeto social. A sociologia exige a presença concomitante dessa intenção e deste objeto, ou pode começar a existir quando haja apenas um outro desses caracteres?"
                                                          Página XIX

"A sociologia moderna não tem como origem exclusiva questões histórico-sociais do século passado, possui outra fonte, as estatísticas administrativas, os surveys, as pesquisas empíricas Há vários anos que o professor Paul Lazasfeld realiza, com a colaboração dos seus discípulos, uma pesquisa histórica sobre as outras formas de sociologia moderna. Pode-se alegar, com argumentos sólidos que a sociologia empírica e quantitativa de nossos dias deve mais a Le Play e a Quételet do que a Montesquieu ou a Augusto Comte."  
                                                           Página XX

Primeira parte

Chales-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu 

O auto diz na página 3 justificando porque começar a história da sociologia por Montesquieu

"Pode parecer surpreendente começar uma história do pensamento sociológico pelo estudo de Montesquieu. Na França, esse autor geralmente é considerado um precursor da sociologia e se atribui a August Comte o mérito de ter fundado esta ciência - o que é verdade, se o fundado for aquele que criou o termo. contudo, se o sociólogo se define por uma intenção específica, conhecer cientificamente o social como tal, Montesquieu, é a meu ver, um sociólogo, tanto quanto August Comte. A interpretação sociológica implícita em O espírito das leis é, com efeito mais moderna, sob certos aspectos, do que a de Augusto Comte."
página 3


O autor destaca que Montesquieu assumiu diversos papeis, que pode ser enquadrado em diversas áreas do saber, inclusive na sociologia, especialmente em o espírito das leis.
Montesquieu Montesquieu se preocupa em transformar uma diversidade incoerente numa ordem inteligível.

"Num nível mais elevado, os historiadores das ideias situam Montesquieu entre os homens de letras, ora entre os teóricos da política; às vezes como historiado do direito, outras vezes entre os ideólogos que, no século XVIII, discutiram os fundamentos das instituições franceses e prepararam a crise revolucionária, e até mesmo entre os economistas Na verdade é que Montesquieu foi ao mesmo tempo um escritor, um jurista, um filósofo da política e quase um romancista [...] Ora, este se apresenta aos meus olhos sob a forma de uma diversidade quase infinita de costumes, ideias, leis e instituições. O ponto de partida de partida de sua investigação é precisamente essa diversidade, que parece incoerente por uma ordem conceitual. Exatamente como Max Weber, Montesquieu deseja passar do dado incoerente a uma ordem inteligível. Ora, este processo é próprio do sociólogo".

"Mas as duas expressões que utilizei a cima - diversidade incoerente e ordem inteligível  - colocam evidente um problema Como se chega a descobrir uma ordem inteligível? Qual é a natureza de uma ordem inteligível que deve substituir a diversidade radical dos costumes?

Página 4

Montesquieu pensa em transformar a diversidade incoerente numa ordem inteligível de duas maneiras:

"Parece-me que existe na obra de Montesquieu, duas respostas que não são contraditórias, ou melhor, duas duas etapas de um mesmo processo de investigação". 
Página 5

A ideia subjacente   a estas duas citações é, a meu ver, a primeira ideia propriamente sociológica de Montesquieu. Eu formularia assim é preciso captar, por trás da consequência aparentemente acidental dos acontecimentos, as causas profundas que os explicam".

"A segunda resposta de Montesquieu é mais interessante e  vai mais longe. consiste em dizer que é possível organizar a   diversidade dos hábitos, dos costumes e das ideias num reduzido número de tipos e não que os acidentes podem ser explicados por causas profundas. Entre a diversidade infinita dos costumes e a unidade absoluta de uma sociedade ideal, há um temo intermediário".
Página 6

" A formula implica que a variedade das leis possa ser explicada, já que as leis próprias de cada sociedade são determinadas por certas causas atuam às vezes, sem que os homens delas tenham consciência. 





  



quinta-feira, 19 de maio de 2016

Max Weber: Burocracia e liderança política - capitulo do Livro Max Weber textos selecionados

WEBER, M. Burocracia e liderança política. In:Textos selecionados. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Col. Os Pensadores)

Data da leitura: 18 e 19 de maio de 2016
Apresentado no seminário da disciplina TEORIAS SOCIAIS E EDUCAÇÃO NA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
















sexta-feira, 6 de maio de 2016

Materialismo Histórico como Instrumento de Análise das Políticas Sociais - José Paulo Netto

Referência bibliográfica:
NETTO, José Paulo. O materialismo histórico como instrumento de análise das políticas sociais. In NOGUEIRA, Francis  Mary; RIZZOTTO, Maria Lúcia Frizon (Orgs). Estado e Políticas Sociais: Brasil-Paraná. Cascavel: Edunioeste, p. 11-28, 2003.



Data da leitura: 06 de maio de 2016


O autor na página 12 no segundo paragrafo destaca uma frase de Marcuse que a memória tem um conteúdo subversivo e na mesma página ele chama atenção que aos poucos o ensino superior vem sendo superior vem sendo privatizado.

"Penso ser da maior importância , hoje, que nós continuemos a defender o ensino superior, democrático, competente, laico (ninguém fala nisso) público e gratuito, porque não tenho dúvidas, nos últimos dez anos vem ocorrendo um processo de privatização na universidade pública brasileira. Estão privatizando, "comendo pelas beiras" - é o projeto cretino que propõe que depois que o estudante conclua seu curso, ele pague, ou então, a questão mais quente : mantem a graduação gratuita e, mas toda a pós graduação stricto e lato senso paga. Para não falar nos MBA, nas extensões e na venda de projetos".

Na página 13 ele anuncia qual é o seu propósito : "Pretendo conversar com vocês um pouco sobre um tema que me é muito caro, que é o chamado materialismo histórico, com a disposição de discuti-lo no marco do debate dos instrumentos para a avaliação das políticas públicas".

Mais a frente ele diz do momento que vive, onde os doutores e pós doutores discutem se o real existe ou se existem somente visões do real.

Na página 14 ele faz duas observações e a primeira é sobre o materialismo histórico, que ele diz ser uma terminologia muito diplomática, mas que será discutida e o que ele discuti aqui é a respeito da tradição marxista e sua primeira observação é que Marx morreu 120 anos atrás:

"lembro-me que Marx morreu em 1883 -120 anos depois, esta tradição se constitui em um bloco teórico, cultural e pratico/político muito heterogêneo. Nesses 120 anos, essa tradição se constituiu com desenvolvimentos, acúmulos com ganhos, mas também com perdas, com regressões e com adulterações". 
"De um ponto de vista teórico rigoroso, não se pode falar em marxismo. O marxismo rigorosamente conflituosidade desse campo teórico-prático que é a tradição marxista".

Ele disse que quando Marx morreu ainda não estava presente o campo das políticas sociais não existia como tal, sendo assim, Marx não tratou diretamente delas, este debate será incorporado ao longo do século XX pelos marxistas.

Na página 15 ele ele repete que o tema políticas públicas não foi contemplado na teoria clássica marxista e depois é preciso partir de uma analise rigorosa  do estágio do desenvolvimento do capital em que vivemos, por isso é imprescindível manter uma interlocução com outras teorias, com outras vertentes de analise que se ocupam na mesma temática, não para incorporar suas conclusões, o que levaria a uma postura bastante eclética,pois o autor se intitula um marxista ortodoxo e explica que isso significa apenas ter rigor metodológico, não tem a ver com fundamentalismo ou dogmatismo. É importante manter a interlocução e o dialogo com pensadores não marxistas, não para incorporar suas definições, mas para aprender os problemas que eles capturam e oferecer-lhes um tratamento alternativo.

O segundo ponto que o autor destaca é quanto ao uso da terminologia políticas públicas, pois ele diz que impera razoável confusão entre os termos política social pública, política social privada, políticas públicas, políticas de governo e etc. o autor crê em manter o uso da expressão da terminologia política social para designar o conjunto das políticas sociais e também para referir-se a uma política setorial, pois ele entende as políticas sociais no período do capitalismo monopolista em que vivemos a demandas postas no movimento por classes (ou estratos de classes" pulverizados pela questão social.

"O Estado burguês, funcional ao capitalismo dos monopólios, através das políticas sociais, responde às pressões  dos segmentos da população afetados pelas várias expressões da questão social. No domínio da saúde, da habitação e da educação, da renda, do emprego, etc., o foco social recai sempre sobre a ou expressões da chamada questão social. O estado apresenta respostas quando afetado por estas estas expressões são capazes de exercer, sobre ele, uma pressão organizada".

Página 16

O autor destaca que a partir dos anos 30 o Estado antecipa estas pressões antes que elas tomem forma organizada e mobilizadora, oferecendo uma solução neutralizadora.