Comprei o livro as etapas do pensamento sociológico e aos poucos vou tentar fazer o resumo da leitura na tentativa de resumir as partes que julgo as partes mais importantes.
ARON, Raymond. As etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo, 2007: Martins Fontes
Na introdução Aron fala de um encontro ou um congresso de sociologia, onde conversou com sociólogos soviéticos.
A primeira parte da introdução que me chamou a atenção:
"A sociologia empírica norte-americana não constitui uma ideologia do Estado, menos ainda uma exaltação consciente e voluntária da sociedade norte-americana. Parece-me que os sociólogos norte-americanos são, em sua maioria, liberais - no sentido em que ali se usa o termo. São mais democratas que republicanos, favoráveis à mobilidade social e a integração dos negros na sociedade ou religiosa. Criticam a realidade norte-americana, em nome das ideias ou dos ideais de seu país; não hesitam em reconhecer os muitos defeitos, que como a hidra da lenda, parecem ressurgir sempre tão numerosos como na véspera da eliminação ou atenuação das folhas denunciadas anteriormente Negos poderão exercer agora o direito ao voto, mas o que significa este direito se os jovens continuam desempregados?Alguns estudantes negros entram na universidade, mas que importância tem estes acontecimentos simbólicos se, se em sua grande maioria, as escolas frequentadas pelos negros são de qualidade inferior?"
"Em suma, os sociólogos soviéticos são conservadores em relação a sua própria sociedade, e revolucionários com relação às demais. Os norte-americanos são reformistas quando se trata de sua própria sociedade e, implicitamente pelos menos, com relação a todas as sociedades".
Página XIX
"Entre a sociologia marxista do Leste e a sociologia parsoniana do Oeste, entre as grandes doutrinas do século passado e as pesquisas parcelares em empíricas de hoje, subsiste uma certa solidariedade, ou, se preferimos, uma certa continuidade que existe entre Max e Max Weber, entre Marx Weber e Parsons, mesmo entre August Comte e Durkheim, ente este último, Marcel Maus e Claude Lévi-Strauss. Os sociólogos de hoje, são claramente, sob alguns aspectos, os herdeiros e continuadores daqueles que alguns chamaram de pré-sociólogos A própria expressão pré-sociólogos evidência a dificuldade da investigação histórica a que me proponho. Qualquer que seja o objeto da história - instituição, nação ou disciplina científica - É preciso defini-lo, delimitá-lo, para acompanhar seu devenir."
Página XVIII
"Quanto a mim, adotei uma definição que reconheço se vaga, embora não a considere arbitrária. A sociologia é o estudo, que pretende ser científico, do social como social, seja no nível elementar das relações interpessoais, seja no nível microscópicos de vagos conjuntos, como as classes, as nações, as civilizações ou, para empregar expressão corrente, as sociedades globais.Esta definição permite mesmo compreender como é difícil escrever uma história da sociologia, onde ela começa e termina.Há muitas maneiras de apreende a intenção científica e o objeto social. A sociologia exige a presença concomitante dessa intenção e deste objeto, ou pode começar a existir quando haja apenas um outro desses caracteres?"
Página XIX
"A sociologia moderna não tem como origem exclusiva questões histórico-sociais do século passado, possui outra fonte, as estatísticas administrativas, os surveys, as pesquisas empíricas Há vários anos que o professor Paul Lazasfeld realiza, com a colaboração dos seus discípulos, uma pesquisa histórica sobre as outras formas de sociologia moderna. Pode-se alegar, com argumentos sólidos que a sociologia empírica e quantitativa de nossos dias deve mais a Le Play e a Quételet do que a Montesquieu ou a Augusto Comte."
Página XX
Primeira parte
Chales-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu
O auto diz na página 3 justificando porque começar a história da sociologia por Montesquieu
"Pode parecer surpreendente começar uma história do pensamento sociológico pelo estudo de Montesquieu. Na França, esse autor geralmente é considerado um precursor da sociologia e se atribui a August Comte o mérito de ter fundado esta ciência - o que é verdade, se o fundado for aquele que criou o termo. contudo, se o sociólogo se define por uma intenção específica, conhecer cientificamente o social como tal, Montesquieu, é a meu ver, um sociólogo, tanto quanto August Comte. A interpretação sociológica implícita em O espírito das leis é, com efeito mais moderna, sob certos aspectos, do que a de Augusto Comte."
página 3
O autor destaca que Montesquieu assumiu diversos papeis, que pode ser enquadrado em diversas áreas do saber, inclusive na sociologia, especialmente em o espírito das leis.
Montesquieu Montesquieu se preocupa em transformar uma diversidade incoerente numa ordem inteligível.
"Num nível mais elevado, os historiadores das ideias situam Montesquieu entre os homens de letras, ora entre os teóricos da política; às vezes como historiado do direito, outras vezes entre os ideólogos que, no século XVIII, discutiram os fundamentos das instituições franceses e prepararam a crise revolucionária, e até mesmo entre os economistas Na verdade é que Montesquieu foi ao mesmo tempo um escritor, um jurista, um filósofo da política e quase um romancista [...] Ora, este se apresenta aos meus olhos sob a forma de uma diversidade quase infinita de costumes, ideias, leis e instituições. O ponto de partida de partida de sua investigação é precisamente essa diversidade, que parece incoerente por uma ordem conceitual. Exatamente como Max Weber, Montesquieu deseja passar do dado incoerente a uma ordem inteligível. Ora, este processo é próprio do sociólogo".
"Mas as duas expressões que utilizei a cima - diversidade incoerente e ordem inteligível - colocam evidente um problema Como se chega a descobrir uma ordem inteligível? Qual é a natureza de uma ordem inteligível que deve substituir a diversidade radical dos costumes?
Página 4
Montesquieu pensa em transformar a diversidade incoerente numa ordem inteligível de duas maneiras:
"Parece-me que existe na obra de Montesquieu, duas respostas que não são contraditórias, ou melhor, duas duas etapas de um mesmo processo de investigação".
Página 5
A ideia subjacente a estas duas citações é, a meu ver, a primeira ideia propriamente sociológica de Montesquieu. Eu formularia assim é preciso captar, por trás da consequência aparentemente acidental dos acontecimentos, as causas profundas que os explicam".
"A segunda resposta de Montesquieu é mais interessante e vai mais longe. consiste em dizer que é possível organizar a diversidade dos hábitos, dos costumes e das ideias num reduzido número de tipos e não que os acidentes podem ser explicados por causas profundas. Entre a diversidade infinita dos costumes e a unidade absoluta de uma sociedade ideal, há um temo intermediário".
Página 6
" A formula implica que a variedade das leis possa ser explicada, já que as leis próprias de cada sociedade são determinadas por certas causas atuam às vezes, sem que os homens delas tenham consciência.