segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Sobre a leitura do capitulo 7 do livro a destrução criativa da terra de David Harvey

Fiz a leitura do capitulo 7 de livro a destruição criativa da terra e de forma resumida vou falar o que compreendi do livro:


O livro começa com o tema de como os impactos da ação do homem sobre a natureza, onde a natureza de alguma forma está transformada e dá como exemplo a experiência da fordlândia, lugar criado por Henry Ford para produção de látex que devido a não habitação naquele espaço natural, mostrando que não temos o controle dos impactos das transformações sobre a natureza.O livro de alguma forma está bastante focado na relação espaço, seja este uma relação de transformação devido aos alterações do capital, seja na relação com a natureza  ou ao Estado. Porém em uma determinada parte o livro fala de relações não capitalistas propriamente ditas que se configuram no espaço.

O autor busca tratar do assunto da luta política do espaço, no Estado na tentativa de fomentar dentro de seu espaço o crescimento das empresas, mas também por outro lado o Estado nacional é uma forma de limitar o espaço do capital no que é em parte uma pedra de tropeço.

A última parte que destaco é como os Estados, as regiões se organizam na busca de aproveitarem dos recursos e também falou da geopolítica usada pelo Estado, inclusive quanto aos recursos naturais e deu como exemplo a China dominando os recursos naturais.

domingo, 27 de setembro de 2015

Capitulo IV: Le mort sisit le vif do livro o poder Simbólico de Pierre Bourdieu

Data da primeira leitura: 26/09/2015


Considerações:

O livro especialmente no principio do capítulo analisado não se deixa compreender tão fácil, pois a linguagem é densa e com alguns vocábulos de difícil compreensão, mas quando você persiste na leitura ele fica cada vez mais fácil e até mesmo prazeroso e o assunto que toma o centro das discursos tem relação com o conceito de "habitus" do próprio Bourdieu, pois o autor procura demonstrar como as formas de dominação não são necessariamente algo pensado, mas que está dominação se constrói no próprio campus, isso é no próprio jogo da vida sem necessariamente ser algo pensado ou racionalizado.



O autor começa dizendo sobre como a filosofia da história está escrita no usos corrente da linguagem corrente nas instituições ou entidades coletivas tais como Estado, burguesia, patronato, Igreja, Família, Justiça e escola que são capazes de originar seus próprios fins, pois o Estado burguês decide , a escola capitalista elimina e a Igreja da França combate, etc. Aqui encontra-se a noção mais acabada de aparelho e asilo da da ignorância. A partir daqui o autor brinca com a palavra machina (maquina) e Deus para falar da função estrutural e também cita as personificações místicas como classe operária ou proletariado e os movimentos sociais que lutariam contra o determinante do aparelho.

Página 75

O autor chama a atenção que em sua visão teleológica ou em outras palavras numa filosofia que acredita que tudo tem um fim último, tudo isso é feito como de propósito o que provocará uma certa indignação moral o que pode parecer intelectualmente aceitável por encontrar explicações na postura filosófica

Página 76

Aqui se destaca o papel da filosofia, como uma profissão, que vezes apressadamente tenta  buscar no discurso uma explicação e com a pretensão de buscar a essência por trás da aparência o que faz que as ciências sociais se tornem uma disciplina "insalubre" que incomoda e que serve apenas para tema de reflexão, muitos inclusive quiseram lhe dar um tom de discursos inacabados e suspeitas de cumpricidade com a realidade que se esforçam por conhecer.

Aqui o autor cita Althusser e num texto de difícil compreensão relaciona retomando Marx a ideia de que as ciências sociais nem tudo esta acabado e superficialmente descrevem com base na essência dos aparelhos (ideológicos), mas que no entanto fingem que fazem a observação e da pesquisa nas praticas reias.

Página 77

Neste trecho com um texto muito denso e de difícil compreensão ao menos pra mim, o autor tenta ao meu ver desconectar do que ao falar de aparelhos (ideológico) e na própria construção da  história pelos historiadores, que é de certa forma uma construção mística , que tem como base o Começo, o que Max Müller chama de primeiro começo, isso faz com que os historiadores datem um começo de tudo, se preocuparem com um começo de tudo místico o que leva a pensar a história como a busca de responsabilidades e a própria profissão do historiador e se tende  buscar um ponto anterior ao anterior, um começo o que de certa forma leva a discussões interminaveis.

Página 78

Esta tendência de discutir a história com base na origem e na origem causal ou em outras palavras na busca de  dar uma explicação para quando começou cada movimento histórico é extensa, por exemplo discutir temas como a arte no período régio do século XVII ou um processo limite entre idade média e modernidade tende a criar uma discussão infinito que cada vez tende a buscar a origem antes da origem e lota as bibliotecas de livros sobre temas históricos.

O autor fala de uma tendência para uma visão teólogico-política  que permite censurar ou louvar, condenar ou habilitar imputando vontades benéficas ou maléficas as propriedades aprovadas ou reprovadas do passado.

Página 79

O ambiente que o próprio historiador se encontra tende a influenciar quanto a sua analise da história, pensar a origem das responsabilidades é uma ilusão teleológica, lembrando que teologia é: "qualquer doutrina que identifica a presença de metas, fins ou objetivos últimos guiando a natureza e a humanidade, considerando a finalidade como o princípio explicativo fundamental na organização e nas transformações de todos os seres da realidade; teologismo, finalismo". [Fonte: dicionário do google].

A história só pode se transformar em fim da história como ação histórica, quando se chega aos responsáveis,  isso é após a batalha das intenções subjetivas dos agentes, em estratégia consciente e calculada, que deliberadamente busca a procura do que há de por vir ou em outras palavras do que vai acontecer, isso é aqui vemos a busca de um juízo final que é a própria busca do historiador.
Desta forma a ilusão teleológica domina tantas consagradas obras sobre a revolução francesa.

Página 80

Bourdieu cita Paul Bois que fala sobre as medidas de abolição dos impostos em favor da classe camponesa que vinham sendo deformadas pela própria lógica do campo em que elas intervinham, que o caráter abstrato,  formal e por muitas vezes idealistas das medidas tomadas na mais completa ignorância das condições de sua concretização tenha contribuído pra que elas, a revelia, para uma inversão paradoxal do que a fez reverter.

Não podemos esperar uma forma de cálculo cínico de uma forma de milagre consciente do burguês, é necessário compreender a sua relação com o habitus característico de uma classe. A razão de ser de uma instituição ou de medidas administrativas não está na na vontade de um indivíduo ou de um grupo, mas sim no campo de forças antagônicas ou complementares, no qual em função dos interesses às diferentes posições e dos habitus dos seus ocupantes, se geram as vontades na qual se definem e se redefinem constantemente a luta.

A ilusão retrospectiva que conduz à ilusão teleológica  nos leva a conceder como produto uma estratégia consciente e calculada.

Página 81

Bourdieu cita Paul Bois que fala das medidas de abolição de muitos impostos para os camponeses, ele diz que estas medicas foram pouco a pouco sendo contornadas e deformadas e viradas do averso pela lógica do campo em que elas intervinham, que o caráter abstrato, formal , e por assim dizer, idealista de medidas tomadas nas mais completas condições  de ignorância das condições de sua concretização, tenham contribuído a revelia, para a inversão paradoxal que as fez reverter.
Bourdieu fala que não é mais possível falar de um processo cínico, e mesmo de uma espécie de milagre consciente do burguês. O que é necessário compreender é a relação entre estas medidas e o habitus característico de uma classe.
As razões de ser de uma instituição ou de uma medida administrativa e de seus efeitos sociais , não está na vontade de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, mas sim no campo de forças antagônicas ou complementares no qual, em função dos interesses associados as diferentes posições e do habitus de seus ocupantes.

A ilusão retrospectiva que busca soluções históricas conduz a uma ilusão teleológica que nos leva a conceber como produto uma estratégia, uma estratégia, consciente e  calculada e até mesmo cínica.

Página 82

Sobre a história, quando falamos das relações de causalidade mecânica que se estabelece que frequentemente se estabelece entre meio e a consciência, mas  sim uma espécie de cumplicidade antológica.

[Ontologia significa “estudo do ser”. A palavra é formada através dos termos gregos “ontos” (ser) e “logos” (estudo, discurso). Consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência e a realidade, procurando determinar as categorias fundamentais e as relações do “ser enquanto ser” (Fonte: dicionário do google)].

as atitudes e a posição, o rei e sua corte, o patrão e sua empresa, o bispo e a sua diocese, é a história que se comunica de certo modo com ela própria, se reflete nela própria. A história sujeito desconhece nela mesmo a história objeto.

Página 83

É segundo Marx uma relação de posse, que indica a posse do possuidor daquilo que ele possui, quando a herança se apropriou do herdeiro o herdeiro pode apropriar-se da herança e nisso nada tem de mecânico ou de fatal, realiza-se pelo feito conjugado dos condicionamentos inscritos na condição do herdeiro e é como mesmo que sem saber o que precisa ser feito, ele o herdeiro sempre fará o que precisa ser feito como herdeiro como que sua própria posição herdeiro lhe garantisse isso, ou seja é antológico seu comportamento que se constrói socialmente do que socialmente se construi do papel do herdeiro.

Luiz XIV está de tal forma identificado com a posição por ele ocupada, que seria difícil determinar quais das suas ações não são determinadas por sua própria vontade, como numa sinfonia daquilo que é produzido pelos maestros daquilo que é produzido pelos músicos. A sua própria vontade de dominar é produto do campo que ela domina.

Página 84

Uma pessoa que consegue ascensão social, que se coloca primeiro em seu lugar quando da chegada de outros novos tentará assegurar seu papel ou status e na própria ordem social há um sentimento de superioridade, um exemplo é o príncipe se sente superior ao duque, o duque se sente superior ao marquês e no conjunto como nobres nem poderiam imaginar ceder aos plebeus. Pelos efeitos de ação e de reação o mecanismo social se equilibrava, se estabilizava numa série de equilíbrios instáveis. O Estado se torna um símbolo do absolutismo e o próprio monarca  absoluto, o rei (o Estado sou eu), o mais diretamente interessado nesta situação, nas aparências do aparelho, dissimula na realidade de um campo de lutas e como detetor do poder simbólico para sustentar as tensões e as divisões e o motor que sustenta está luta que não reside em primeiro lugar na figura do rei sol, mas na própria luta, que sendo produzida pelas estruturas constitutivas do campo, reproduzindo as estruturas hierárquicas do mesmo.

Ninguém pode pode












Termos mais complicados dentro das ciências sociais

 Idiossincrasia

Disposição do temperamento do indivíduo, que o leva a sentir de um modo peculiar a influencia de diversos agentes, maneira de ver, sentir, agir, própria, especial de cada pessoa. 



Hedonismo

Doutrina filosófica que faz do prazer o objetivo da vida


Teleologia
substantivo feminino
 (filosofia)
qualquer doutrina que identifica a presença de metas, fins ou objetivos últimos guiando a natureza e a humanidade, considerando a finalidade como o princípio explicativo fundamental na organização e nas transformações de todos os seres da realidade; teleologismo, finalismo. 
  • doutrina inerente ao aristotelismo e a seus desdobramentos, fundamentada na ideia de que tanto os múltiplos seres existentes, quanto o universo como um todo direcionam-se em última instância a uma finalidade que, por transcender a realidade material, é inalcançável de maneira plena ou permanente.
  • teoria característica do hegelianismo e seus epígonos, segundo a qual o processo histórico da humanidade — assim como o movimento de cada realidade particular — é explicável como um trajeto em direção a uma finalidade que, em última instância, é a realização plena e exequível do espírito humano


    hermenêutica
    substantivo feminino
    1. 1.
      ciência, técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, esp. das Sagradas Escrituras.
    2. 2.
      interpretação dos textos, do sentido das palavras

        Ontologia significa “estudo do ser”. A palavra é formada através dos termos gregos “ontos” (ser) e “logos” (estudo, discurso). Consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência e a realidade, procurando determinar as categorias fundamentais e as relações do “ser enquanto ser”


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dom Quixote e os Moinhos de Vento da América Latina - De Anibal Quijano

Dom Quixote e os Moinhos de Vento da América Latina
Texto de Aníbal Quijano

Resumo da leitura feito em 14 de Setembro de 2015


O texto começa ao dizer que o que denominamos hoje América Latina se constituiu juntamente como parte do atual poder dominante que tem ligação com a constituição da Europa Ocidental como centro mundial de de controle deste poder e a própria dependência da América latina e fundou o modo social de existência chamado MODERNIDADE.

O autor destaca que a América Latina foi o tempo inaugural deste novo modelo social, embora na própria América Latina nem todas as potencialidades deste novo momento histórico tenham se desenvolvido.

Página 9 e 10

Dom Quixote e os Moinhos de Vento da América Latina

 O autor começa citando Junichiro Tanizaki, que diz que o rumo da história de seu país (o Japão) teve o rumo foi alterado pela superioridade militar do ocidente o que demonstra a hegemonia da Europa Ocidental que através da visão eurocêntrica e  de seu característico olhar evolucionista, testemunhando assim a hegemonia mundial do eurocentrismo como modo de produção e de controle da subjetividade e, em especial,  a do conhecimento.

O autor destaca que na própria Europa Ocidental há regiões atrasadas no que se refere a esta modernidade e por tal no 400° aniversário do livro Dom Quixote é uma oportunidade de falar desta herança.

Quijano diz que Dom Quixote que arremete contra os moinhos de vento como quem arremete contra o surgimento da modernidade, onde o novo é representado pelos moinhos e o velho representado pela ideologia senhorial cavalheiresca se encontram, onde o novo não acabou de nascer e o velho não acabou de morrer

"Na verdade, todo o livro (Dom Quixote) é atravessado por esse des/encontro: o novo senso comum que emergia com o novo padrão de poder produzido com a América, com seu pragmatismo mercantil e seu respeito pelo “poderoso Cavaleiro Dom Dinheiro” (Quevedo dixit), não é ainda hegemônico, nem está ainda consistentemente constituído, e no entanto já ocupa um lugar crescente na mentalidade da população. Isto é, já disputa a hegemonia com o sentido cavalheiresco, senhorial, da existência social [...]"

No texto ao falar desta relação entre moinhos de vento X modernidade e cavalaria/arcaico é impossível não observar sua relação com o futuro da Espanha.

Página 10

O autor destaca que os moinhos de ventos eram uma tecnologia vinda de Bagdá no oriente e a cavalaria era um elemento da Europa atrasado  culturalmente, mas militarmente vitoriosa do mediterrâneo como um grande centro mercantil que se reconstrói sobre os escombros  da derrota da cultura muçulmana-judaica.

Este regime senhorial que pela contrarreforma e pela inquisição não tarda em expulsar os mouros e judeus faz a primeira limpeza étnica do período colonial/moderno e a coroa faz que em todas as populações se produza uma identidade comum, processo que ainda não está terminado hoje

" Depois da América, em um tempo de rápida expansão do capitalismo, quando já uma parte crescente da nova sociedade peninsular está imersa no novo padrão de poder, tal senhorio já não podia evitar ter, ele mesmo, os pés no solo mercantilista, quando sua cabeça ainda habitava o arcaico, embora em seu imaginário não menos caudaloso, céu de sua “cavalaria”. 
Sem esse des/encontro, que confluía com os desastrosos efeitos da expulsão de mouros e judeus sobre a produção material e cultural, não se poderia explicar por que, nada menos do que com os ingentes benefícios comerciais obtidos com os minerais e vegetais preciosos produzidos na América com o trabalho não pago de “índios” servos e de “negros” escravos, a futura Espanha estava ingressando, sob todas as aparências contrárias, em um prolongado curso histórico, que a levou do centro do maior poder imperial até o duradouro atraso de uma periferia, no novo sistema-mundo colonial/ moderno."

Página 11

O autor compara  este misto entre mundo cavalheiresco e modernidade como um cavalo arcaico já muito velho para cavalgar, que por sua vez, já incapaz de se converter numa burguesia plena e coerente e converter o diverso em nacional, assim como puderam fazer seus rivais e sucessores do centro norte da Europa.

Foi em cima das riquezas da América  que a coroa e os habsburgos, donos das colossais riquezas das Américas extraída do trabalho gratuito dos negros escravos e dos índios servos sabendo que com o controle destas riquezas poderiam expulsar os judeus e mouros e ainda despejar sua violência para impor-se sobre outras identidades (catalães, bascos, andaluzes, galegos, navarros, valencianos) "O conhecido resultado foi, de um lado, a destruição da produção interna e do mercado interno nela fundado, e do outro, o secular retrocesso e estancamento dos processos de democratização e de ilustração que a modernidade/colonial abria e que produziram, precisamente, Dom Quixote".

Página 12

O que que empobreceu o futuro da Espanha foi exatamente o que permitiu o enriquecimento do centro-norte da Europa:

 O que empobreceu e assenhoreou a futura Espanha, e a tornou ainda sede central do obscurantismo cultural e político no Ocidente pelos quatro séculos seguintes, foi precisamente o que permitiu o enriquecimento e a secularização do centro-norte da Europa Ocidental emergente, e mais tarde favoreceu o desenvolvimento do padrão de conflito que levou à democratização dessas regiões e países do centro-norte da Europa Ocidental.

Página 13

Com o tempo finalmente sobre a Espanha as regras do capitalismo se impõe, no entanto, ainda hoje "os remanescentes do “assenhoreamento” em sua existência social não terminaram de extinguir-se. E o conflito com as “autonomias” atuais, assim como o terrorismo do ETA em busca de independência nacional dão conta de que esse labirinto ainda não terminou de ser destruído, não obstante todas as mudanças. Ninguém melhor que Cervantes, e, portanto, Cide Hamete Benengeli, percebeu esse des/encontro histórico com tanta lucidez e perspicuidade".

Nós latino-americanos podemos aprender com o texto de Cervantes e a formação de um processo de colonialidade do poder:

" Esta é também precisamente a questão com a história do espaço/tempo específico que hoje chamamos América Latina. Por sua constituição históricoestruturalmente dependente dentro do atual padrão de poder, esteve todo esse tempo limitada a ser o espaço privilegiado de exercício da colonialidade do poder. E visto que nesse padrão de poder o modo hegemônico de produção e de controle de conhecimento é o eurocentrismo, encontraremos nessa história amálgamas, contradições e des/encontros análogos aos que Cide Hamete Benengeli havia conseguido perceber em seu próprio espaço/tempo".

Página 14

A perspectiva eurocêntrica da mesma forma que a cavalaria distorcendo a nossa realidade como América Latina  :

"Consequentemente, nossos problemas também não podem ser percebidos senão desse modo distorcido, nem confrontados e resolvidos salvo também parcial e distorcidamente. Dessa maneira, a colonialidade do poder faz da América Latina um cenário de des/encontros entre nossa experiência, nosso conhecimento e nossa memória histórica".

Assim não é difícil compreender a forma que nossa história não teve um desenvolvimento coerente:

"Não é surpreendente, por isso, que nossa história não tenha podido ter um movimento autônomo e coerente, e mais exatamente tenha se configurado como um longo e tortuoso labirinto em que nossos problemas não resolvidos nos habitam como fantasmas históricos.". 

O texto fala da necessidade essencial de nos desfazermos deste fantasma que é a colonialidade que distorce nossa visão e o compara com o fantasma de Elsinor de Hamilet

"Não se convocam, pois, impunemente, os fantasmas que a história produziu. Os da América Latina já deram muitas mostras de sua capacidade de conflito e de violência, precisamente porque foram produto de violentas crises e de sísmicas mutações históricas cujas seqüelas de problemas não pudemos ainda resolver. Esses fantasmas são aqueles que habitam nossa existência social, assediam nossa memória, inquietam cada projeto histórico, irrompem com freqüência em nossa vida, deixam mortos, feridos e contundidos, mas as mutações históricas que lhes dariam finalmente descanso não estiveram até hoje a nosso alcance".

 O autor destaca que não só a América Latina não se deslogou deste fantasma histórico do colonialismo, como também corre o risco de desta forma não a não chegar ao novo mundo que vai se configurando na crise atual mais profunda e global de todo o período da colonial/modernidade.

" Para lidar com tais fantasmas e conseguir, talvez, que nos iluminem antes de desvanecer, é indispensável liberar nossa retina histórica da prisão eurocêntrica e reconhecer nossa experiência histórica. É bom, pois, é necessário que Dom Quixote cavalgue de novo para desfazer agravos, que nos ajude a desfazer o agravo de partida de toda a nossa história: a armadilha epistêmica do eurocentrismo que há quinhentos anos deixa na sombra o grande agravo da colonialidade do poder e nos faz ver somente gigantes, enquanto os dominadores podem ter o controle e o uso exclusivos de nossos moinhos de vento".

Página 15 e 16


A produção histórica da América Latina e a destruição e redefinição do passado

A construção histórica da América Latina começa pela  destruição de todo um mundo histórico e o autor destaca que está que está é a maior destruição sociocultural que ele conhece. Porém este processo é ainda um processo que poucas vezes é levado a cabo, exceto pelo atual movimento dos índios e dos afro-latino-americanos:

"Mas raras vezes, se alguma, pode ser encontrado como elemento ativo na formulação das perspectivas que concorrem ou confluem no debate latino-americano pela produção de nosso próprio sentido histórico. E suspeito que agora mesmo seria um inapreensível argumento, se não estivesse presente o atual movimento dos chamados “indígenas” e não estivesse começando a emergir o novo movimento “afro-latino-americano”. 

O autor fala da importância de recordar que o colonialismo foi mais um processo que sofremos de desintegração do poder, quando mais da metade da civilização que vivia aqui, uma civilização avançada que tinha conhecimentos e era composta desde engenheiros, arquitetos até artistas e os sobreviventes não tiveram acesso a esta cultura, se quer tinham acesso a educação se transformando em camponeses iletrados. Toda imensa produção intelectual desta civilização não só ficou destruída, mas também ficou inacessível aos seus descendentes.

Página 16 

 A produção de um novo padrão de poder.
 Raça e dominação social global

Nesta parte do texto o autor começa demonstrar um novo padrão de poder que até então não tinha sido usado, que tem como base na ideia de raça, pois a partir de então o dominados passam a não serem somente o que são, isso é vitimas de um conflito de poder, mas  inferiores em sua natureza material em sua capacidade de produção histórico-cultural.

O autor chama a atenção que a vasta pluralidade de identidades dos que habitavam o continente, maias, astecas e incas foi destruída e estes passam a se enxergar com uma identidade imposta de índios e com o olhar do dominador, e de maneira não menos eficaz aos vindos do continente africano de negros:

"  A vasta e plural história de identidades e memórias (seus nomes mais famosos, maias, astecas, incas, são conhecidos por todos) do mundo conquistado foi deliberadamente destruída e sobre toda a população sobrevivente foi imposta uma única identidade, racial, colonial e derrogatória, “índios”. Assim, além da destruição de seu mundo histórico-cultural prévio, foi imposta a esses povos a idéia de raça e uma identidade racial, como emblema de seu novo lugar no universo do poder. E pior, durante quinhentos anos lhes foi ensinado a olhar-se com os olhos do dominador [...]De modo muito diferente, mas não menos eficaz e perdurável, a destruição histórico-cultural e a produção de identidades racializadas teve também entre suas vítimas os habitantes seqüestrados e traídos, do que hoje chamamos África, como escravos e em seguida racializados como “negros”. Eles provinham também de complexas e sofisticadas experiências de poder e de civilização (ashantis, bacongos, congos, iorubas, zulus etc.)."

Página 17
O autor fala sobre os negros e diz que desde o tempo dos romanos a Europa já tinha contato com a cor negra
"Os “negros”, como eram chamados os futuros “africanos”, eram uma “cor” conhecida pelos “europeus” desde milhares de anos antes, desde os romanos, sem que a idéia de raça estivesse em jogo. Os escravos “negros” não serão embutidos nessa idéia de raça senão muito mais tarde na América colonial, sobretudo desde as guerras civis entre os encomenderos e as forças da Coroa, em meados do século XVI. Mas a “cor” como signo emblemático de raça não será imposta sobre eles senão desde bem avançado o século XVIII e na área colonial britânico-americana". 
Aqui o autor fala sobre a experiência norte americana, fala do extermínio de índios e de expansão de territórios que é um dos exemplos deste colonialismo e mais tarde liga a esta construção social a relação de poder dos homens em relação as mulheres e de um padrão de poder relacionando brancos, índios, negros e mestiços.

Este modelo surge na relação Europa e  América e se expande:

"Dessa maneira, o primeiro sistema de classificação social básica e universal dos indivíduos da espécie fazia sua entrada na história humana. Nos termos do jargão atual, a primeira classificação social global da história. Produzida na América, foi imposta ao conjunto da população mundial no mesmo curso da expansão do colonialismo europeu sobre o resto do mundo. A partir daí, a ideia de raça, o produto mental original e específico da conquista e colonização da América, foi imposta como o critério e o mecanismo social fundamental de classificação social básica e universal de todos os membros de nossa espécie".

Página 18
O autor destaca que o colonialismo é algo muito antigo, mas só com a colonização da América toma os contornos de raça  como construto mental:
"A classificação racial, visto que se fundava em um produto mental nu, sem nada em comum com nada no universo material, não seria sequer imaginável fora da violência da dominação colonial. O colonialismo é uma experiência muito antiga. No entanto, somente com a conquista e a colonização ibero-cristã das sociedades e populações da América, na transposição do século XV ao XVI, foi produzido o construto mental de “raça”.
Ele destaca a correlação entre a vitória militar dos ibéricos contra judeus e muçulmanos na construção deste novo padrão de colonialismo: 
" Isso dá conta de que não se tratava de qualquer colonialismo, mas de um muito particular e específico: ocorria no contexto da vitória militar, política e religioso-cultural dos cristãos da contra-reforma sobre os muçulmanos e judeus do sul da Ibéria e da Europa. E foi esse contexto que produziu a idéia de “raça”.
" De fato, ao mesmo tempo em que se conquistava e colonizava a América, a Coroa de Castela e de Aragão, já o núcleo do futuro estado central da futura Espanha, impunha aos muçulmanos e judeus da península ibérica a exigência de um “certificado de limpeza de sangue” para serem admitidos como “cristãos” e serem autorizados a habitar na península ou viajar à América. Tal “certificado” –
além de ser testemunho da primeira “limpeza étnica” do período da colonial/modernidade – pode ser considerado como o mais imediato antecedente da idéia de raça, já que implica a ideologia de que as idéias religiosas, ou mais geralmente a cultura, são transmitidas pelo “sangue”
Página 19
O autor fala do capitalismo e sua expansão e da relação que ele passa a ter com a ideia de raça, então aqui o colonialismo já transformado numa perceptiva racial faz que aqueles que são negros e indignais tenham um lugar inferior
" E, naturalmente, em especial desde meados do século XVIII, entre os “mestiços” era precisamente a “cor”, o matiz da “cor”, o que definia o lugar de cada indivíduo ou cada grupo na divisão social
do trabalho".
 Colonialidade e globalidade no novo padrão de poder
 A categoria raça se apresenta como critério universal de classificação social, ninguém em nenhum lugar do mundo pode estar fora deste padrão:

"Visto que a categoria raça se apresentava como o critério universal e básico de classificação social da população, e em torno dela se redefiniam as formas prévias de dominação, em especial entre sexos, “etnicidades”, “nacionalidades” e “culturas”, esse sistema de classificação social afetava, por definição, todos e cada um dos membros da espécie" [...]"Emergia, assim, o primeiro sistema global de dominação social historicamente conhecido: ninguém, em nenhum lugar do mundo, poderia estar fora dele" .
Página 20
Outro ponto é a expansão da divisão social do trabalho e do sistema de produção de mercadorias que se  expande mundialmenteEmergia, pois, também o primeiro sistema global de exploração da história: o capitalismo mundial.
 Eurocentramento do novo padrão de poder:
capital e modernidade
O autor fala sobre como o trabalho assalariado não pago da América juntamente com a introdução de novas tecnologias, inclusive vindas da África que permitiu a expansão europeia do capital, inclusive possibilitando que em seus países ou nas metrópoles houvesse trabalho assalariado
"[...]  foi exclusivamente o controle colonial da América e do trabalho gratuito de “negros” e de “índios”, produzindo minerais e vegetais preciosos, que permitiu aos dominantes entre os colonizadores não só começar a ter uma posição importante no mercado mundial, mas sobretudo a concentração de ingentes benefícios comerciais, e junto com eles também concentrar em seus próprios países o assalariamento ou mercantilização da força de trabalho local" [...]Tudo isso implicou a rápida expansão da acumulação capitalista nessas regiões, e inclusive permitiu aproveitar as inovações tecnológicas produzidas pelos escravos “negros” das Antilhas para desenvolver a “revolução industrial” no Norte da futura Europa Ocidental11. Somente sobre essa base a emergente Europa Ocidental poderá depois partir para a colonização do resto do mundo e o domínio
do mercado mundial".
 
Página 21 
Quijano diz que sem a  experiência da América seria impossível o eurocentrismo e a expansão desta expansão europeia, no entanto não é isso que se tenta passar, inclusive a visão da América como a terra sem males, uma terra de utopia ao contrário do que se pode pensar pode ter influenciado na construção de uma Europa que via a experiência da América pré-colonial quanto a igualdade social:
" [...] sem a América, sem contato e sem conhecimento de formas de existência social fundadas na igualdade social, a reciprocidade, a comunidade, a solidariedade social, entre algumas sociedades indígenas pré-coloniais, em especial na área andina, não se poderiam explicar as utopias européias dos séculos XVI, XVII e XVIII, as quais, re-imaginando, magnificando e idealizando aquelas experiências indígenas, em contraste com as desigualdades do feudalismo no centro-norte da Europa, fundaram o imaginário de uma sociedade constituída em torno da igualdade social, da liberdade individual e da solidariedade social como projeto central da modernidade e como cifra e compêndio de sua específica racionalidade".
Página 22

A Europa se firma como o centro da colonialidade do Poder:

" Para a América e, em particular, para a atual América Latina, no contexto da colonialidade do poder, esse processo implicou que, à dominação colonial, à racialização, à re-identificação geocultural e à exploração do trabalho gratuito, fosse sobreposta a emergência da Europa Ocidental como o centro do controle do poder, como o centro de desenvolvimento do capital e da modernidade/
racionalidade, como a própria sede do modelo histórico avançado da civilização.
Todo um mundo privilegiado que se imaginava, se imagina ainda, autoproduzido e autoprojetado por seres da raça superior par excellence, por definição os únicos realmente dotados da capacidade de obter essas conquistas. Desse modo, daí em diante, a dependência histórico-estrutural da América Latina não seria mais somente uma marca da materialidade das relações sociais, mas sim, sobretudo, de suas novas relações subjetivas e intersubjetivas com a nova entidade/identidade chamada Europa Ocidental e a de seus descendentes e portadores onde quer que fossem e estivessem".


Os fantasmas da América Latina

O autor fala que esta autora o leitor já deve ter percebido que o modelo da colonialidade do poder frustrou nossa tentativa de encontrarmos soluções para nossos problemas fundamentais e ele fala da tentativa a partir XIX que o caminho das independências e aí surge a proposta de integração bolivariana que pretendia lutar contra a influencia dos EUA, tanto por conta da anexação da metade do México, mas também pela influência norte-americana em Porto Rico, em Cuba e nas Filipinas.
Página 23

Aqui se destaca que por este processo colonial estar tão arraigado em nós, quando surge novas ideias que tentam desenraizar de nós este mal, acabamos por acreditar que estas ideias são meras utopias, não dando crédito as mesmas e estes fantasmas da colonialidade parecem ter se enraizado em nossa consciência:
"Por tudo isso, tais fantasmas nos habitam entrelaçados entre si inextricavelmente.E parecem ter-se tornado permanentes. Desse modo, terminaram por tornar-se familiares, na verdade íntimos, e são parte constitutiva de nossa experiência e de nossas imagens. Poder-se-ia dizer, por isso, que agora são virtualmente inerentes à materialidade e ao imaginário de nossa existência histórica. Nesse sentido, formam o específico nó histórico da América Latina".

Colonialidade, modernidade, identidade

Não é surpreendente que o  tenhamos internalizado o colonialismo em nós, uma vez que nossos colonizadores eram europeus e mesmo após com as independências, eram os brancos identificados com o oriente (Europa).
O autor destaca a importância de dar voz aos construtores de racionalidade índios, negros e mestiços:

"Em outros termos, a colonialidade do poder implicava então, e ainda hoje no fundamental, a invisibilidade sociológica dos não-europeus, “índios”, “negros” e seus “mestiços”, ou seja, da esmagadora maioria da população da América e sobretudo da América Latina, com relação à produção de subjetividade, de memória histórica, de imaginário, de conhecimento “racional”. Logo, de identidade".

Página 24

O texto fala das revoltas no vice-reinado do Peru por Tupac Amaru em 1780, da inicial triunfante revolução haitiana de 1808 os latino americanos não europeus foram mais invisibilidades no mundo dos dominantes da colonialidade do poder.

Por outro lado "De fato, os invisibilizados eram a esmagadora maioria da população da América Latina tomada em seu conjunto, e seu universo subjetivo, seus modos de relação com o universo, densos e ativos demais para serem simplesmente ignorados".

Também destaca que a promiscuidade dos católicos produziu um grande número de mestiços o que fez que, exceto nos extremos do poder houvesse uma relação intersubjetiva do poder:

"intersubjetivo considerado igualmente “mestiço”, e conseqüentemente ambíguo e indeciso, exceto, sem dúvida, nos extremos de ambas as partes do poder".

A partir de então a  identidade latino-americana passa ser um terreno de conflito e um processo pedregoso entre europeus e não europeus e este processo:

Em primeiro lugar aumento do número de mestiços e pela própria ideia de igualdade racial bastante que é resultado da  luta antirracista

Em segundo lugar a questão do discurso dominante moderno europeu/ocidental após a segunda guerra mundial este discurso é questionado quanto ao pré-europeu ou o pré moderno.

Página 25

"Em terceiro lugar, o que resulta da resistência das vítimas da colonialidade do poder, que não esteve ausente durante estes cinco séculos. Durante a primeira modernidade, sob o domínio ibérico, os primeiros intelectuais “mestiços” (no extenso Vice-reino do Peru, a maior parte da América do Sul atual, poucos desconheceriam os nomes mais célebres, Garcilaso de la Vega, o Inca, Huaman Poma de Ayala, Santa Cruz Pachacuti Salcamayhua, Blas Valera) iniciaram a defesa do legado aborígine".

Em quarto lugar  o autor fala de uma busca de uma latinalização influenciada pela França e pelas ideias de Rodó especialmente frente ao crescimento da influência norte americana

"Enfim, os recentes movimentos político-culturais dos “indígenas” e dos “afro-latino-americanos” puseram definitivamente em questão a versão européia da modernidade/racionalidade e propõem sua própria racionalidade como alternativa. Negam a legitimidade teórica e social da classificação “racial” e “étnica”, propondo de novo a idéia de igualdade social. Negam a pertinência e a legitimidade do Estado-Nação fundado na colonialidade do poder. Enfim, embora menos clara e explicitamente, propõem a afirmação e reprodução da reciprocidade e de sua ética de solidariedade social, como opção alternativa às tendências predatórias do capitalismo atual".

" É pertinente assinalar, contra todo esse pano de fundo histórico e atual, que a questão da identidade na América Latina é, mais do que nunca, um projeto histórico, aberto e heterogêneo, não só, e talvez não tanto, uma lealdade com a memória e com o passado [...]  Nessa perspectiva e nesse sentido, a produção da identidade latino-americana implica, desde o início, uma trajetória de inevitável destruição da colonialidade do poder, uma maneira muito específica de descolonização e de liberação: a des/colonialidade do poder.











terça-feira, 8 de setembro de 2015

Resumo da leitura do texto: A educação para além do capital de István Mészáros

Inicio da segunda leitura  07 de setembro de 2015

Meszáros, István. Educação para além do capital. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2008.




Educação para além do capital 

O autor começa o livro dizendo que escolheu três epígrafes para antecipar alguns dos principais pontos a serem abordados em seu livro, o primeiro de um pensador do século XVI chamado Paracelso que diz "em contraste agudo com a concepção atual tradicional mas tendenciosamente estreita da educação": 

"A aprendizagem é a nossa própria vida, desde a juventude até a velhice, de fato quase até a morte".

na mesma direção vai José Martí:


"La educación empieza con la vida, y non acaba sino con la muerte".

mas o mesmo mesmo acrescenta algumas restrições cruciais, "criticando duramente as soluções dadas pela nossa sociedade e assim coloca em perspectiva o nosso problema":

"Se viene a la tierra como cera, - y el azar nos vacía en moldes prehecho. - Las convenciones creadas deforman la existencia verdadera [...] Las redenciones han venido siendo formales;- es necesario que sean esenciales [...] La liberdad política no estará asegurada mientras no se asegura la libertad espiritual. [...] La escuela y el hogar son las dos formidables cárceles del homble".

O terceiro epígrafe das teses de feuerbach de Marx, como diz o autor, põe em evidência a linha divisória que separa os socialistas utópicos, como Robert Owen, daqueles que no nosso tempo têm de superar os graves antagonismos estruturais de nossa sociedade, pois estes antagonismos bloqueiam os caminhos para a mudança necessária.

Max:

"A teoria materialista de que os homens são produto das circunstâncias e da educação e de que, portanto, os homens modificados são produto de circunstância s diferentes e de educação modificada, esquece que as circunstâncias são modificadas precisamente pelos homens e que o próprio educador precisa ser educado. lava, pois forçosamente, a divisão da sociedade em duas partes, uma das quais se sobrepõe à sociedade (como por exemplo, Robert Owen). A coincidência da modificação das circunstâncias e da atitude humana só pode ser aprendida racionalmente como pratica formadora."

O autor destaca que tomando as três citações se enfatiza a urgência de se construir uma mudança estrutural que nos leve para além do capital.

Páginas 23 e 24

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A incorrigível lógica do capital e seu impacto sobre a educação

O autor começa afirmando que poucos negariam que os processos educacionais e os processos sociais mais abrangentes estão intimamente ligados, sendo assim a reformulação  na educação é inconcebível sem transformações no quadro social no qual  as práticas educacionais devem cumprir as vitais e historicamente importantes funções de mudança. O autor deixa claro que dentro do modo de produção que vivemos o que é possível é somente alguns ajustem, sem no entanto haver mudança inclusive no campo da educação de forma que sejam mantidas intactas as determinações estruturais fundamentais da sociedade como um todo, conforme as exigências inalteráveis da lógica global de um determinado sistema de produção.

Página 25

Seria um absurdo esperar, do ponto de vista da ordem feudal a hipótese de dominação dos servos contra os senhores da bem estabelecida classe dominante e o mesmo vale para a alternativa hegemônica fundamental entre o capital e o trabalho, sendo assim, mesmo que bem intencionadas intenções dos reformadores educacionais, é impossível que as utopias vinculadas aos autores reformadores da área da educação vinguem sem eliminar os fundamentos causais  antagônicos profundamente enraizados. 
A razão do fracasso de todas as alternativas anteriores dos reformistas, embora lúcidas estão reconciliadas com o capital.

Página 26

O autor cita Edward Berstein e seus colaboradores na tentativa de reformar o capital  e diz que o capital é incorrigível por sua própria natureza e assim permanecerá mesmo que  tipos de corretivos marginais lhe sejam aplicados.

"Do mesmo modo, contudo, procurar margens de reforma sistêmica na própria estrutura do capital é uma contradição em termos, é por isso que é necessário romper com a lógica do capital se quisermos contemplar a criação de uma alternativa diferente."

Página 27

Nesta parte para ilustrar que é impossível falar de um reformismo dentro do capital no que tange a educação o autor toma duas pensadores preocupados com a temática da educação, mas que escolheram o caminho de não romper com o capital e nestes dois ele tenta demonstrar em que falha sua teoria:

O primeiro foi Adam Smith que condenou de forma clara o impacto negativo do sistema sobre os trabalhadores ao dizer que o capitalismo

"Limita as visões do homem . Na situação que a divisão do trabalho é levada até a perfeição, todo o homem tem apenas uma operação simples para realizar, isso limita toda a sua atenção, e poucas ideias passam por sua cabeça, com exceção daquelas que tem ligação imediata [...] Estas são as desvantagens do espírito comercial. as mentes dos homens ficam limitadas, tornando-se incapazes de se elevar. A educação é desprezada, ou no mínimo negligenciada, e o espírito heroico é quase que totalmente extinto.  Corrigir estes efeitos deveria ser assunto digno de uma séria atenção". [Smith, 17763, Lectures on justice, police, revenue, and arms]

Porém como destaca o autor, a preocupação de Smith significa muito pouco, se é que tem algum significado, já que o mesmo encontra solução culpando os próprios  trabalhadores ao invez do sistema que lhe impõe esta situação infeliz: