domingo, 27 de setembro de 2015

Capitulo IV: Le mort sisit le vif do livro o poder Simbólico de Pierre Bourdieu

Data da primeira leitura: 26/09/2015


Considerações:

O livro especialmente no principio do capítulo analisado não se deixa compreender tão fácil, pois a linguagem é densa e com alguns vocábulos de difícil compreensão, mas quando você persiste na leitura ele fica cada vez mais fácil e até mesmo prazeroso e o assunto que toma o centro das discursos tem relação com o conceito de "habitus" do próprio Bourdieu, pois o autor procura demonstrar como as formas de dominação não são necessariamente algo pensado, mas que está dominação se constrói no próprio campus, isso é no próprio jogo da vida sem necessariamente ser algo pensado ou racionalizado.



O autor começa dizendo sobre como a filosofia da história está escrita no usos corrente da linguagem corrente nas instituições ou entidades coletivas tais como Estado, burguesia, patronato, Igreja, Família, Justiça e escola que são capazes de originar seus próprios fins, pois o Estado burguês decide , a escola capitalista elimina e a Igreja da França combate, etc. Aqui encontra-se a noção mais acabada de aparelho e asilo da da ignorância. A partir daqui o autor brinca com a palavra machina (maquina) e Deus para falar da função estrutural e também cita as personificações místicas como classe operária ou proletariado e os movimentos sociais que lutariam contra o determinante do aparelho.

Página 75

O autor chama a atenção que em sua visão teleológica ou em outras palavras numa filosofia que acredita que tudo tem um fim último, tudo isso é feito como de propósito o que provocará uma certa indignação moral o que pode parecer intelectualmente aceitável por encontrar explicações na postura filosófica

Página 76

Aqui se destaca o papel da filosofia, como uma profissão, que vezes apressadamente tenta  buscar no discurso uma explicação e com a pretensão de buscar a essência por trás da aparência o que faz que as ciências sociais se tornem uma disciplina "insalubre" que incomoda e que serve apenas para tema de reflexão, muitos inclusive quiseram lhe dar um tom de discursos inacabados e suspeitas de cumpricidade com a realidade que se esforçam por conhecer.

Aqui o autor cita Althusser e num texto de difícil compreensão relaciona retomando Marx a ideia de que as ciências sociais nem tudo esta acabado e superficialmente descrevem com base na essência dos aparelhos (ideológicos), mas que no entanto fingem que fazem a observação e da pesquisa nas praticas reias.

Página 77

Neste trecho com um texto muito denso e de difícil compreensão ao menos pra mim, o autor tenta ao meu ver desconectar do que ao falar de aparelhos (ideológico) e na própria construção da  história pelos historiadores, que é de certa forma uma construção mística , que tem como base o Começo, o que Max Müller chama de primeiro começo, isso faz com que os historiadores datem um começo de tudo, se preocuparem com um começo de tudo místico o que leva a pensar a história como a busca de responsabilidades e a própria profissão do historiador e se tende  buscar um ponto anterior ao anterior, um começo o que de certa forma leva a discussões interminaveis.

Página 78

Esta tendência de discutir a história com base na origem e na origem causal ou em outras palavras na busca de  dar uma explicação para quando começou cada movimento histórico é extensa, por exemplo discutir temas como a arte no período régio do século XVII ou um processo limite entre idade média e modernidade tende a criar uma discussão infinito que cada vez tende a buscar a origem antes da origem e lota as bibliotecas de livros sobre temas históricos.

O autor fala de uma tendência para uma visão teólogico-política  que permite censurar ou louvar, condenar ou habilitar imputando vontades benéficas ou maléficas as propriedades aprovadas ou reprovadas do passado.

Página 79

O ambiente que o próprio historiador se encontra tende a influenciar quanto a sua analise da história, pensar a origem das responsabilidades é uma ilusão teleológica, lembrando que teologia é: "qualquer doutrina que identifica a presença de metas, fins ou objetivos últimos guiando a natureza e a humanidade, considerando a finalidade como o princípio explicativo fundamental na organização e nas transformações de todos os seres da realidade; teologismo, finalismo". [Fonte: dicionário do google].

A história só pode se transformar em fim da história como ação histórica, quando se chega aos responsáveis,  isso é após a batalha das intenções subjetivas dos agentes, em estratégia consciente e calculada, que deliberadamente busca a procura do que há de por vir ou em outras palavras do que vai acontecer, isso é aqui vemos a busca de um juízo final que é a própria busca do historiador.
Desta forma a ilusão teleológica domina tantas consagradas obras sobre a revolução francesa.

Página 80

Bourdieu cita Paul Bois que fala sobre as medidas de abolição dos impostos em favor da classe camponesa que vinham sendo deformadas pela própria lógica do campo em que elas intervinham, que o caráter abstrato,  formal e por muitas vezes idealistas das medidas tomadas na mais completa ignorância das condições de sua concretização tenha contribuído pra que elas, a revelia, para uma inversão paradoxal do que a fez reverter.

Não podemos esperar uma forma de cálculo cínico de uma forma de milagre consciente do burguês, é necessário compreender a sua relação com o habitus característico de uma classe. A razão de ser de uma instituição ou de medidas administrativas não está na na vontade de um indivíduo ou de um grupo, mas sim no campo de forças antagônicas ou complementares, no qual em função dos interesses às diferentes posições e dos habitus dos seus ocupantes, se geram as vontades na qual se definem e se redefinem constantemente a luta.

A ilusão retrospectiva que conduz à ilusão teleológica  nos leva a conceder como produto uma estratégia consciente e calculada.

Página 81

Bourdieu cita Paul Bois que fala das medidas de abolição de muitos impostos para os camponeses, ele diz que estas medicas foram pouco a pouco sendo contornadas e deformadas e viradas do averso pela lógica do campo em que elas intervinham, que o caráter abstrato, formal , e por assim dizer, idealista de medidas tomadas nas mais completas condições  de ignorância das condições de sua concretização, tenham contribuído a revelia, para a inversão paradoxal que as fez reverter.
Bourdieu fala que não é mais possível falar de um processo cínico, e mesmo de uma espécie de milagre consciente do burguês. O que é necessário compreender é a relação entre estas medidas e o habitus característico de uma classe.
As razões de ser de uma instituição ou de uma medida administrativa e de seus efeitos sociais , não está na vontade de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, mas sim no campo de forças antagônicas ou complementares no qual, em função dos interesses associados as diferentes posições e do habitus de seus ocupantes.

A ilusão retrospectiva que busca soluções históricas conduz a uma ilusão teleológica que nos leva a conceber como produto uma estratégia, uma estratégia, consciente e  calculada e até mesmo cínica.

Página 82

Sobre a história, quando falamos das relações de causalidade mecânica que se estabelece que frequentemente se estabelece entre meio e a consciência, mas  sim uma espécie de cumplicidade antológica.

[Ontologia significa “estudo do ser”. A palavra é formada através dos termos gregos “ontos” (ser) e “logos” (estudo, discurso). Consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência e a realidade, procurando determinar as categorias fundamentais e as relações do “ser enquanto ser” (Fonte: dicionário do google)].

as atitudes e a posição, o rei e sua corte, o patrão e sua empresa, o bispo e a sua diocese, é a história que se comunica de certo modo com ela própria, se reflete nela própria. A história sujeito desconhece nela mesmo a história objeto.

Página 83

É segundo Marx uma relação de posse, que indica a posse do possuidor daquilo que ele possui, quando a herança se apropriou do herdeiro o herdeiro pode apropriar-se da herança e nisso nada tem de mecânico ou de fatal, realiza-se pelo feito conjugado dos condicionamentos inscritos na condição do herdeiro e é como mesmo que sem saber o que precisa ser feito, ele o herdeiro sempre fará o que precisa ser feito como herdeiro como que sua própria posição herdeiro lhe garantisse isso, ou seja é antológico seu comportamento que se constrói socialmente do que socialmente se construi do papel do herdeiro.

Luiz XIV está de tal forma identificado com a posição por ele ocupada, que seria difícil determinar quais das suas ações não são determinadas por sua própria vontade, como numa sinfonia daquilo que é produzido pelos maestros daquilo que é produzido pelos músicos. A sua própria vontade de dominar é produto do campo que ela domina.

Página 84

Uma pessoa que consegue ascensão social, que se coloca primeiro em seu lugar quando da chegada de outros novos tentará assegurar seu papel ou status e na própria ordem social há um sentimento de superioridade, um exemplo é o príncipe se sente superior ao duque, o duque se sente superior ao marquês e no conjunto como nobres nem poderiam imaginar ceder aos plebeus. Pelos efeitos de ação e de reação o mecanismo social se equilibrava, se estabilizava numa série de equilíbrios instáveis. O Estado se torna um símbolo do absolutismo e o próprio monarca  absoluto, o rei (o Estado sou eu), o mais diretamente interessado nesta situação, nas aparências do aparelho, dissimula na realidade de um campo de lutas e como detetor do poder simbólico para sustentar as tensões e as divisões e o motor que sustenta está luta que não reside em primeiro lugar na figura do rei sol, mas na própria luta, que sendo produzida pelas estruturas constitutivas do campo, reproduzindo as estruturas hierárquicas do mesmo.

Ninguém pode pode












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