quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O Ensino de Sociologia na Escola Secundária Brasileira

 Resumo de leitura do texto:

O Ensino de Sociologia na Escola Secundária Brasileira

De Florestan Fernandes

 Anais do I

Congresso Brasileiro de Sociologia. São Paulo, 1954. Disponível em:

http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_do wnload&gid=1693&Itemid=170

Áudio da leitura do livro



O texto começa com o autor elencando as razões pelas quais é defensável o ensino de sociologia no ensino médio.



sábado, 11 de julho de 2020

Clifford Geertz. A Interpretação das Culturas - Capítulo 9: “Um jogo absorvente: Notas sobre a briga de galos balinesa”)

Data da leitura: 11 de julho de 2020

Pagina 185
  • Chegada a Bali -Em 1958 ele e a esposa chegam a uma pequena aldeia afastada de Bali, com cerca de 500 habitantes
  • Há certo estranhamento, as pessoas os tratam como se eles não existissem
  • Se quase ninguém os complementavam, ninguém os diziam coisas desagradáveis
Página 186
  • Minha mulher e eu ainda estávamos no estágio do sopro de vento, um estágio muito frustrante e enervante, em que se começa até a duvidar se se é verdadeiramente real, quando, dez dias ou pouco mais após a nossa chegada, foi organizada uma briga de galos muito disputada na praça pública, para angariar dinheiro para | uma nova escola.
  • Sobre a proibição da briga de galos - Ora, a não ser em ocasiões muito especiais, as brigas de galos são ilegais em Bali desde que foi proclamada a república (como o eram sob os holandeses, por motivos não muito bem explicados), em função das j pretensões ao puritanismo que o nacionalismo radical tende a trazer consigo. A elite, que não é tão puritana,, preocupa-se com o camponês pobre, ignorante, que aposta todo o seu dinheiro, com o que o estrangeiro i poderá pensar, com o desperdício de tempo que poderia ser melhor aplicado na construção do país
  • Os policiais de origem javanesa se sentiam obrigados a reprimir - Como acontecia durante a Lei Seca ou hoje com a maconha, de tempos em tempos a polícia (que, pelo menos em 1958, não era composta de balineses, mas de javaneses) sentia-se obrigada a fazer uma incursão, confiscar galos e  esporões, multar pessoas e até mesmo expor algumas delas ao sol tropical durante um dia
  • objetiva que jamais é aprendida, embora ocasionalmente, muito ocasionalmente, o objeto da lição morra. Como resultado disso, as rinhas são levadas a efeito nos cantos isolados de uma aldeia... Nesse caso, porém, talvez porque estivessem angariando dinheiro para uma escola que o governo  tinha condições de dar-lhes, ou talvez porque as incursões policiais tivessem diminuído recentemente, pois necessário suborno havia sido pago segundo deduzi de discussões subsequentes, os aldeões acharam que poderiam ocupar a praça central e atrair uma multidão maior e mais entusiasta sem chamar a atenção da lei
  • Eles estavam enganados. No meio da terceira rinha, com centenas de pessoas em volta, inclusive eu e minha mulher, ainda transparentes, um superorganismo, no sentido literal da palavra, um caminhão cheio de policiais armados de metralhadoras, surgiu como bloco único em torno da rinha. Por entre os gritos estridentes de "polícia! polícia!"
  • As pessoas corriam pela estrada, pulavam muros, escondiam-se sob plataformas, enroscavam-se por trás de biombos de vime, subiam nos coqueiros. Os galos, munidos de esporões de aço afiados o bastante para arrancar um dedo ou fazer um buraco num pé, espalharam-se ao redor, selvagemente. A poeira e  pânico eram tremendos.
  • Seguindo o princípio antropológico estabelecido. "Quando em Roma...", minha mulher e eu decidimos alguns minutos mais tarde que os demais, que o que tínhamos a fazer era correr também. Corremos pelai principal da aldeia, em direção ao Norte
  • Há uma perseguição, procuram o chefe da aldeia, a política cobra alta multa e interroga sobre a presença de estrangeiros, é feita uma defesa apaixonada deles, dizendo que eles tinham todo o direito de estar ali, no dia seguinte tudo muda quanto ao reconhecimento deste casal de antropólogos 
Página 188
  •  Levou-me a uma aceitação súbita e total, não-habitual, numa sociedade extremamente avessa à penetração de estrangeiros. Deu-me a oportunidade de aprender, de imediato, um aspecto introspectivo da "mentalidade camponesa", que os antropólogos que não tiveram a sorte de fugir como eu, juntamente com o objeto de suas pesquisas, das autoridades armadas, normalmente não conseguem. E, o que é mais importante, pois todas as outras coisas poderiam ter chegado a meu conhecimento de outra maneira, isso colocou-me em contato direto com uma combinação de explosão emocional, situação de guerra e drama filosófico de grande significação para a sociedade cuja natureza interna eu desejava entender. Por ocasião de minha partida, eu já havia despendido tanto tempo pesquisando as brigas de galos como a feitiçaria, a irrigação, as castas ou o casamento
Galos e homens

  • Vários aspectos da vida balinesa já foram estudados, no entanto, a briga de galo tem o mesmo efeito que teria um jogo de basquete pera os norte americanos
  • os galos brigam ali, mas verdadeiramente são os homens que se defrontam
  • "Para quem quer que tenha permanecido algum tempo em Bali, a profunda identificação psicológica dos homens balineses com seus galos é incontestável. Aqui, o duplo sentido é deliberado. Ele funciona exatamente da mesma maneira em balinês como em nossa língua, com as mesmas piadas antigas, os mesmos trocadilhos forçados, as mesmas obscenidades. Bateson e Mead sugeriram até, levando em conta a concepção balinesa do corpo como um conjunto de partes separadas animadas, que os galos eram vistos como pênis separados, funcionáveis, órgãos genitais ambulantes, com vida própria".
Página 189

  • "Sabung, a palavra correspondente a galo (que aparece em inscrições tão antigas como 922 d.C.) é usada de forma metafísica com o significado de "herói", "guerreiro", "campeão", "homem de valor", "candidato político", "solteiro", "dandi", "Don Juan" ou "cara durão".
  •  "galo lutador engaiolado pela primeira vez". Os julgamentos na corte, as guerras, as reuniões políticas, as disputas de herança e os argumentos de rua são todos comparados a brigas de galos. Até a própria ilha é percebida como tendo o contorno de um galo pequeno, orgulhoso, ereto..."
  • A admiração de homens pelos galos - Mas a intimidade dos homens com seus galos é mais do que metafórica. Os homens balineses, ou grande maioria deles pelo menos, despendem um tempo enormes com seus favoritos, aparando-os, alimentando-os, discutindo sobre eles, experimentando-os uns contra os outros, ou apenas admirando-os, com um misto de admiração embevecida ou uma auto-absorção sonhadora
  • Os galos são bem alimentados, são mantidos numa gaiola
Página 190
  • Os galos e seu sacrifício para expiar a ambição dos demônios - A ligação dos galos e brigas de galos com tais Poderes, com os demônios animalescos que constantemente ameaçam invadir o pequeno espaço limpo no qual os balineses tão cuidadosamente construíram suas vidas, para devorar seus habitantes, é muito explícita. Uma briga de galos, qualquer briga de galos, é, em primeiro lugar, um sacrifício de sangue oferecido aos demônios, com os cânticos e oblações apropriadas, a fim de pacificar sua fome voraz, canibalesca
  • Nenhum festival de templo pode ser iniciado antes que um tal sacrifício seja feito. (Se ele é esquecido, alguém cairá inevitavelmente em transe e ordenará, com a voz de um espírito zangado, que o esquecimento seja imediatamente corrigido.) As respostas coletivas aos males naturais - doenças, fracasso de colheitas, erupções vulcânicas
  • O Dia do Silêncio" (Njepi), quando todos se sentam em silêncio e imóveis durante todo o dia, j a fim de evitar qualquer contato com um súbito influxo de demônios saídos do inferno, é precedido, no dia  anterior, por brigas de galos em grande escala (legais, neste caso) em praticamente todas as aldeias da ilha.
  • "A loucura tem, porém, algumas dimensões menos visíveis, pois, embora seja verdade que os galos são expressões simbólicas ou ampliações da personalidade do seu proprietário, o ego masculino narcisista em termos esopianos, eles também representam expressões — e bem mais imediatas — daquilo que os balineses vêem como a inversão direta, estética, moral e metafísica, da condição humana: a animalidade".
  •  Os balineses evitam se parecer com animais, pois eles comparar animais a demônios, por isso, eles evitam comportamentos parecidos com comportamentos animais. Não deixam crianças engatinharem por exemplo.
  • Ao identificar-se com seu galo, o homem balinês se está identificando não apenas com seu eu ideal, ou mesmo com seu pênis, mas também, e ao mesmo tempo, com aquilo que ele mais teme, odeia e, sendo a ambivalência o que é, o que mais o fascina — "Os Poderes das Trevas"
Página 191

  • Na briga de galos, o homem e a besta, o bem e o mal, o ego e o id, o poder criativo da masculinidade desperta e o poder destrutivo da animalidade desenfreada fundem-se num drama sangrento de ódio, crueldade, violência e morte
O Embate

  • Fala sobre a colocação dos esporões de metal chamados (tadjí)
Página 192
  • Durante esse intervalo, que dura cerca de dois minutos, o treinador do galo ferido trabalha freneticamente com ele, como um segundo lida com um boxeur atingido entre os assaltos, para deixá-lo em forma numa última e desesperada tentativa de vitória
  • Cercando todo esse melodrama — que a multidão compacta em torno da rinha segue quase em silêncio, movendo seus corpos numa simpatia cinestética segundo o movimento dos animais, animando seus campeões com gestos de mão, sem palavras, com movimentos dos ombros, volteando a cabeça, recuando em massa quando o galo com os esporões mortais tomba num dos lados da rinha (diz-se que os espetadores às vezes perdem os olhos e os dedos por ficarem tão atentos), balançando-se em frente novamente enquanto olham de um para o outro — existe um vasto conjunto de regras extraordinariamente elaboradas e detalhadas com precisão.
  • ,o árbitro (soja komong; djuru kembar) — o homem que lida com o coco — encarrega-se da aplicação dessas regras e sua autoridade é absoluta. Jamais vi o julgamento de um árbitro ser questionado sobre qualquer assunto
  • Essa duplicidade cruzada de um acontecimento que, tomado como fato da natureza, é de um furor incontido e, tomado como fato da cultura, é aperfeiçoado em sua forma, define a briga de galos como uma entidade sociológica. Uma briga de galos é o que Erving Goffman chamou de "reunião concentrada", procurando o nome de algo insuficientemente consistente para ser chamado de grupo e insuficientemente desestruturado para ser chamado de multidão — um conjunto de pessoas absorvidas num fluxo de atividade comum e se relacionando umas com as outras em termos desse fluxo.
  •  Num período clássico (isto é, anterior à invasão holandesa de 1908), quando não havia burocratas para incrementar a moralidade popular, a encenação de uma briga de galos era um assunto explicitamente societário. Levar um galo de briga para uma luta importante era, para um adulto masculino, um dever compulsório de cidadania; a taxação das brigas, que ocorriam geralmente nos dias de mercado, era uma das principais fontes de renda pública; o patrocínio da arte era uma responsabilidade estabelecida para os príncipes, e a rinha de galos, ou wantilan, ficava no centro da aldeia, próximo aos outros monumentos da civilidade balinesa — a casa do conselho, o templo de origem, o local de mercado, a torre de sinalização e a figueira-de-bengala.
página 194

As Vantagens e o Direito ao Par
  •  Os balineses nunca fazem algo de maneira simples quando podem fazê-lo de modo complicado, e as apostas nas brigas de galos não constituem exceção a essa regra geral.
  • Em primeiro lugar, há dois tipos de apostas, ou toh.n Há a aposta principal, no centro, entre os chefes (íoh ketengah), e há a multidão de apostas periféricas em torno da rinha, entre o espectadores (toh kesasí). 
  • A aposta feita no centro é oficial, também envolvida numa teia de regras, e é feita entre os dois proprietários dos galos, sendo o árbitro o depositante e testemunha pública.
Página 195

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Resumão BNCC

Introdução

  • É um instrumento de caráter normativo
  • Conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essências
  • Todos os alunos devém desenvolver ao longo das etapas da educação básica de modo que tenha assegurados seus direitos de aprendizado e desenvolvimento
  • Este documento aplicasse exclusivamente para a educação escolar conforme paragrafo primeiro do artigo primeiro da LDB.
  • Respeitando princípios ético e estéticos da educação escolar que visam a formação humana integral e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva fundamentada nas diretrizes nacionais da educação básica
  • É a fundamentação para a formação dos currículos das redes escolares dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios
  • Contribui para o alinhamento de politicas em âmbito nacional, estadual e municipal referente a formação de professores, a avaliação e elaboração de conteúdos educacionais e espera que ela ajude a superar a fragmentação das políticas nacionais e o fortalecimento do regime de três esferas de governo 
  • A BNCC será balizadora da qualidade e da permanência e a garantia de um patamar comum de qualidade
  • As aprendizagens essenciais devem assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais 
  • Na base nacional competência é definida como mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para desenvolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
  • Ao definir estas competências ,  BNCC deve afirmar valores e estimular valores que contribuam para a transformação da sociedade, formação humana transformando-a em mais humana e socialmente justa.
  • as competências gerais da BNCC se desdobram nas três etapas do ensino básico, isto é educação: 1) Infantil, 2) Fundamental e 3) Médio.
Competências da BNCC.
  1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social e cultural para entender e explicar a realidade (fatos, informações, fenômenos e processos linguísticos, culturais, sociais, econômicos, científicos, tecnológicos e naturais), colaborando para a construção de uma sociedade solidária. 
  2.  Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e inventar soluções com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 
  3. . Desenvolver o senso estético para reconhecer, valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 
  4. Utilizar conhecimentos das linguagens verbal (oral e escrita) e/ou verbo-visual (como Libras), corporal, multimodal, artística, matemática, científica, tecnológica e digital para expressar-se e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e, com eles, produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo
  5. Utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas. 
  6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao seu projeto de vida pessoal, profissional e social, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
  7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 
  8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas e com a pressão do grupo. 
  9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de origem, etnia, gênero, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outra natureza, reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.
  10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões, com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. Ao definir essas dez competências
Marcos legais da BNCC:
  • A constituição de 1988 em seu artigo 205 reconhece a educação como direito fundamental compartilhado entre Estado, família e sociedade
  • A educação é um direito de todos, dever do Estado e da família sera promovida e incentivada com colaboração da sociedade visando ao pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania e sua preparação para o trabalho
  • Artigo 210 da Constituição já reconhece a necessidade que sejam fixados conteúdos mínimos do ensino fundamental
  • A LDB no seu inciso 4°, artigo 9 afirma que cabe a União estabelecer em colaboração com Estados, Distrito Federal estabelecer competência e diretrizes para educação infantil, o ensino fundamental e médio que nortearão seus conteúdos mínimos
  • A LDB define o que é o que é diversificado e o que é comum: as competências e habilidades são comum e os currículos são diversos
  • A LDB apresenta a definição das aprendizagens essências e não apenas os conteúdos mínimos a ser ensinado
  • O artigo 26 da LDB retoma o que é comum e o que é diverso: os currículos da educação infantil, ensino fundamental e médio devem ter base comum a ser complementada em cada sistema de ensino e unidade escolar por uma parte diversificada exigida pelas características locais e regionais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos que foi o norte traçado pela diretrizes curriculares em 90, bem como sua revisão em 2000
  • Em 2010 o CNE promulgou novas DCN's respeitando as manifestações culturais de cada comunidade como destaca o parecer CNE/CEb n.7de 2010
  • Em 2014 a 13.005 de 2014 promulgou o PNE  que reitera a necessidade de estabelecer e implantar mediante pactuação com União, Estados, Distrito Federal e municípios diretrizes pedagógicas para a educação básica e a Base Nacional Comum dos currículos com direitos de aprendizagem para cada nível de educação
  • Em 2017 com a alteração da LDB por força da lei 13.415/2017 (Reforma do Ensino Médio) a legislação brasileira passa a definir duas modalidades da educação  competências e habilidades, trata-se de maneiras diferentes e intercambiadas de designar aquilo que os estudantes devem aprender na educação básica
Fundamentos pedagógicos da BNCC:

  • Foco no desenvolvimento de competências
  • É o enfoque adotado pela OCDE
  • O enfoque deve estar voltado para o desenvolvimento de competências
O compromisso com a educação integral

  • No novo cenário mundial ser cooperativo, produtivo e resiliente, ser proativo, conviver com as diferenças
  • A base nacional tem compromisso com a educação integral
  • Uma visão, plural e integral da criança
  • Voltada ao seu acolhimento
  • escola se fortalecer na prática coercitiva a discriminação 
  • Independente da duração da jornada escolar o conceito de educação integral (não de tempo integral) com que a base está comprometida se refere a produção intencional de processo educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades as possibilidades e os interesses dos estudantes
  • A BNCC propõe a superação meramente disciplinar do conhecimento, o estímulo a sua aplicação na vida real, a importância para o contexto do sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante na sua aprendizagem e projeto de vida.
Pacto interfederativo e a implementação da BNCC.

  • O Brasil um país caracterizado pela autonomia de seus antes federados, acentuada diversidade social e profunda desigualdade social, os sistemas de ensino devem construir currículos e as escolas projetos pedagógicos voltados a realidade social das escolas
  • A BNCC desempenha um papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais para todos os estudantes e as oportunidades de ingresso e permanência numa escola de educação básica
  • O Brasil ao longo de sua história  naturalizou as desigualdades escolares
  • Desigualdade familiar
  • Necessidade de superação da desigualdade educacional
  • Um planejamento com foco na equidade
  • Cita compromisso para reverter exclusão dos alunos com deficiência, indígenas, afrodescendentes, quilombolas, que não concluíram na idade certa 
  • A educação tem como principio a educação global considerando as dimensões físico, afetiva, social, ética e simbólica
  • a BNCC e os currículos tem papeis complementares
  • Estas decisões que resultem num processo de participação  efetiva da família e da comunidade
  • Contextualizar os conteúdos dos componentes curriculares
  • Estratégias mais dinâmicas do ensino e aprendizagem 
  • Recorrer a ritmos diferenciados e recorrendo a conteúdos complementares se necessário
  • Construir e aplicar avaliação avaliativa de processo e resultado 
  • Tomando tais medidas para melhorar a escola, professores e alunos
  • Selecionar, produzir recursos didáticos didáticos
  • Criar e disponibilizar materiais e processos de formação contínua de aprendizagem
  • Fala em respeitar religiosidade e alteridade indígena e cosmologia indígena bem como o ensino de língua indígena como primeira língua
  • Inventariar as experiências educacionais já construída como apoio ao processo educativo
  • Fala de ensino de história afro-brasileira e indígena 
A BNCC e o regime de colaboração
  • A BNCC depende do adequado funcionamento do regime de colaboração
  • Discussão para a implementação da base
  • Implementação progressiva
  • Papeis complementares da redes de ensino na implementação da BNCC
  • A primeira tarefa da União é ligada aos currículos para a formação de professores, revisar a formação de professores para alinha-las a BNCC
  • Compete a União promover e coordenar politicas no âmbito federal, estadual, distrital e municipal, referente a elaboração de materiais pedagógicos e a oferta de infraestrutura
  • Parcerias com redes de ensino priorizando aquelas com menores recursos pelas desigualdade regionais/sociais
  • fomento de casos de sucesso
  • Conhecimento de casos de outros países
ESTRUTURA DA BNCC

  • Se refere somente a educação infantil e fundamental
  • Infantil 0-5 anos passando pela creche e pré escola
  • Ensino fundamental, anos iniciais e finais
  • Os alunos devem desenvolver as dez competências gerais
Educação infantil:

  • Traços, cores e formas

domingo, 23 de setembro de 2018

SANTOMÉ, Jurjo Torres. Evitando o Debate sobre a Cultura no Sistema Educacional - Como ser competente sem conhecimento.

  • SANTOMÉ, Jurjo Torres. Evitando o Debate sobre a Cultura no Sistema Educacional - Como ser competente sem conhecimento. In SACRISTÁN, José Gimeno, et all. Educar por Competências: o que há de novo?. Porto Alegre: Artmed. 2011, p. 161-197.


Leitura iniciada dia 13 de setembro de 2018 na versão original em espanhol, pois não tive acesso à tradução do texto, sendo assim fiz um resumo da leitura já traduzido, tomando em conta os principais pontos.


O autor destaca que desde do final dos anos 80 se torna muito habitual ver nos documentos oficiais que regulam o sistema educativo a introdução de novos conceitos e filosofias, algumas que provocam enorme interesse, mas que não passam de mero slogan, desfigurando por completo o significado e funções que se espera que desempenhem. Expressões como autonomia pedagógica, currículo aberto e flexível, currículo e aprendizagem construtivista são bons exemplos de políticas ditadas pelo ministério, mas sem a verdadeira aplicação e participação de seus destinatários, de maneira especial os professores. Se pensa que basta introduzir nas legislações determinados conceitos, oferecidos como mais atuais e relevantes que o coletivo docente acatará estes conceitos e modifiquem todas suas práticas e rotinas, até conhecimentos adquiridos e construídos durante anos de sala de aula, pela influência destas novas filosofias.

Estudos e pesquisas mostram que estas reformas não funcionam sem a verdadeira participação dos professores, mas pelo contrário, elas apenas aparecem como terminologia nos documentos que os professores mais ou menos são obrigados a preencher.

O autor diz que é uma precipitação por parte do ministério impor estas filosofias, dentre outras coisas, estas reformas são levadas a cabo sem estudos e investigações que compreendam o que realmente funciona e o que não funciona no sistema educativo, nem mesmo o que merece e o que não merece ser preservado, faltam estudos diagnósticos sobre a vida nas escolas. O único diagnóstico que tem sido utilizado é provas do tipo teste como o PISA para oferecer para opinião pública como diagnóstico ao sistema educativo, centrados unicamente em analisar algumas condutas dos alunos, obtidos perante a aplicação de uma prova teste, aplicada em um único dia ao azar.

Não existe mais o mínimo debate , nem diagnóstico baseado no domínio que os alunos tem do conteúdo dos conteúdos obrigatórios e mesmo assim, é preciso estudos sobre a qualidade dos conteúdos.

Um exemplo na incongruência dos discurso entre os cursos ofertados nos últimos anos pelas autoridades do ministério nos cursos de atualização construtivistas voltados aos professores é falar do currículo aberto e flexível  ao mesmo tempo de um currículo que os professores ano a ano tem que dar conta e estes professores afirmam que não tem tempo suficiente , a saída é que estes professores optam por oferecer pílulas sobre cada tema obrigatório.

Sobre a modernização psicologizante das políticas públicas 

O discurso de competências, neste momento nos obriga que prestemos atenção no seu nascimento e como posteriormente ele val se transformando, mas na verdade o que se pretende ao recorrer a este conceito e camuflar as filosofias que o geraram.

Nos anos 70, é quando se produz a maior convergência entre o discurso psicologizante e o das distintas especialidades das ciências sociais, o que permite psicologizar os problemas e conflitos que surgem na sociedade e os discursos políticos dominantes naqueles anos, especialmente os do marxismo, que se dedicam a denunciar as condições de trabalho dos modelos capitalistas e as condições do colonialismo de muitos povos e a cultura patriarcal impregnada em todas as sociedades. Na década de 80 repercutem claramente revoluções e conflitos, seja a luta pela independência das colônias, pelos direitos das mulheres, raças e classes sociais oprimidas.

Recorrer a psicologização, permite deixar individualizar os problemas, invisibilizando as estruturas econômicas, políticas, militares, culturais e educativas que se construíram na opressão. 

Este discurso carece com matizes progressistas, pois coincide com as críticas de esquerda que dizia que então se fazia uma educação adoutrinaria, impondo conteúdos separados do contato com a realidade, que contribuíam em conformar um modelo de sociedade patriarcal, racistas, sexistas, classistas, imperialistas, militares, homofóbico,  religioso urbano... assim eram as verdades que os livros e a escola impunham. 

Houve muitas criticas a este modelo de educação, alguns disseram como Everett  (1973) a escola está morta ...as analises das instituições escolares daquele tempo as apresentavam como hierarquizadas, autoritárias, rigidas e autoritárias e demasiado alienantes, por conseguinte, contrários ao modelo de pessoa educada e desalienada que a modernidade precisava. 

Educar se comparava ao estrangulamento mental, em converter as pessoas em ladrilhos, mais tarde 1982 foi levado aos cinema 'the wall" do Pink Freud , como um tipo de denuncia ao conservadorismo pedagógico  e uma denuncia a um tipo de sociedade. A cadeia de montagem fordista onde trabalhadores e trabalhadoras perdem sua identidade semelhante o que Charles Chaplin havia denunciado no filme tempos modernos  traduziam com perfeição a denuncia de meninos e meninas que desejavam ser reconhecidos como pessoas livres e reflexivas, autônomas, seres que aspeiam viver num mundo mais humano, justo e democrático.

Leitura no dia 24/09


Neste clima de ataque aos modelos educativos tradicionais, a psicologia que tinha uma linguagem mais moderna e levantava temáticas que até então eram esquecidas pelos discursos educativos mais hegemônicos e conservadores se converteu em um campo de conhecimento muito apetitoso. A psicologia, especialmente a escola piagetiana, se converteu em taboa de salvação para educadores e educadoras progressistas, especialmente nos níveis de educação infantil e primária. Permitiu converter em centro do processo educativo a cada estudante, com suas peculiaridades e idiossincrasias (característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa.) individuais, e portanto, desenhar e implementar um projeto mais relevante para todos e para cada um. O discurso psicológico com enfase no desenvolvimento pessoal, contribuiu para que o olhar e as principais preocupações dos professores se dirigissem a construir contextos educativos para facilitar seu desenvolvimento. a dimensão cultural da educação passa a uma segunda dimensão...

A psicologia se apresentava como o campo de conhecimento que podia contribuir a reconduzir  uma educação que não agradava ninguém.

Os professores progressistas apoiavam este modelo, porque abria uma via fazer um ensino relevante para os seus alunos, poderia, por exemplo, selecionar conteúdos que se adequavam muito mais com seus alunos, forçava a tomar em consideração o contexto de onde estavam seus alunos, a cultura do entorno, etc.

Estas perspectivas gozavam de grande aceitação, especialmente entre professores, desde do final dos anos 70 e turante toda a década de 80 entre o professorado da educação infantil e do primeiro siclo.

Eram momentos em que a regulação dos conteúdos da educação infantil eram inexistentes. As iniciativas que mais prestavam atenção nesta etapa eram promovidas por ajuntamentos de governo com forças políticas de esquerda, que confiavam nos professores que contratavam e lhes outorgava completa liberdade para desenhar seus projetos educativos. As professoras que se comprometiam a trabalhar nesta rede de Escolas Infantis, eram profissionais muito jovens e recém saídas das faculdades, na sua maioria após fazer uma especialização de psicologia ou pedagogia.

As rupturas com o modelo educativo começaram quando se iniciou a educação regulamentada, ou seja, quando o ministério já estabelecia diretrizes para se trabalhar e marcava objetivos e conteúdos para cada etapa do sistema educativo. Nas etapas obrigatórias, as culturas profissionais, as tradições que vinham definindo o que significa ser professor ou professora, junto com a função que haviam recebido do ministério, chocavam-se frontalmente com as pedagogias invisíveis de que fala Basil BERSTEIN e que caracterizam s estas psicologias piagetianas. 

Muito rápido os conservadores aprenderam a utilidade destas perspectivas psicologistas da educação para assimilar suas ideias que voltam a reaparecer em cena com linguagem e imagens mais populistas. Pouco a pouco o professorado vai mudando seu foco de atenção. O que se converteu mais interessante  e de atualidade era criar ambientes cognitivelmente mais interessante e potencializar as capacidades de cada estudante, a seleção dos conteúdos com que deveria se estimular e desenvolver as capacidades se tornou algo secundário. Desenvolveremos estruturas cognitivas e isto bastara para que o alunato se converta em uma pessoa mais educada.

Este panorama de desinteresse pela cultura contribuiu também a esquerda, mesmo que sem pretender, pois eram seus intelectuais que de um modo muito contundente vinhem de forma muito contundente criticando, com base nas pesquisas muito rigorosas o viés dos conteúdos culturais apresentados com que se trabalhava com os alunos nas aulas. As lutas e políticas progressistas havia permitido o acesso físico dos alunos de todas as classes sociais, sexo, raças e capacidades às instituições escolares, no entanto seus saberes e  cultura estavam ausentes e na maioria dos casos, a história e o presente, assim como as conquistas destas classes sociais populares eram manipuladas para apresentar-las como inferiores, carentes de favor, sem interesse nem utilidade, por conseguinte, este mesmo acesso às aulas e a cultura funcionava na prática como freio as reivindicações e aspirações dos membros deste coletivo, como estratégia reprodutivista deste status quo.

Um relativismo ligado a ideia que não era possível haver um conhecimento objetivo e rigoroso, ideias educacionais pós-modernas que permitiam julgar as pessoas pertencentes a outras culturas, argumentando que não existem mecanismos e condições para estabelecer condições de objetividade, assim caindo numa perigosa aceitação normativo e a aceitação que tudo vale.

O relativismo não deixava a possibilidade de uma seleção objetiva da cultura que podiam ser trabalhadas em aula. Se apresentava provas contundentes de como quem estava em situação de poder impunham alguns conteúdos escolares, selecionando unicamente aquelas parcelas de saber que lhes beneficiavam, de como os conteúdos mentiam na hora de oferecer interpretações de como foi e de como deverá ser o mundo, se criava da mesma forma, o currículo vigente para facilitar a fragmentação do conhecimento em compartimentos inconexos, que negava a possibilidade de compreender como funciona a sociedade como um todo, não permitiam ver as interconexões entre as distintas estruturas da sociedade.

Com este clima de fundo a psicologia, com um discurso voltado as capacidades,  oferecia uma via para continuar apostando na necessidade e utilidade das instituições escolares.

Um dos erros de muitos projetos educativos psicologistas foi uma notável ingenuidade de suas analises, caindo caindo sem pretender nos modelos naturalistas que pressupõe deixado em liberdade para escolher o que mais lhe convém, e que o desenvolvimento intelectual de cada pessoa está programado geneticamente, possui um ritmo próprio ao qual não podemos interferir, que só ao lhe oferecer um ambiente rico em estímulos cada estudante aprenderá a ler, matemática, física, música, filosofia ... Em grande medida, este erro é o que se esconde expressões como, "o ensino está centrado nos alunos e não nas matérias". 
Efetivamente, cada estudante, em função da estimulação e educação recebida até então, possui uns conhecimentos, destrezas e valores e outros não. Mas é função dos professores ter claro que novos conhecimentos são estes que a sociedade decidiu que se deve trabalhar com os alunos na etapa em que se encontram no sistema escolar, e consequentemente organizar o espaço, os recursos informativos e didáticos e as tarefas para que cada garoto e cada garota em sua aula possam acabar por dominá-los o quanto antes.
O ensino e a aprendizagem escolar precisa de um professorado que saiba acomodar-se na idiossincrasia de cada estudante, mas sabendo que é sua a tarefa de selecionar os recursos informativos, motivar e gerar um clima que contribua a orientar o aluno, não a inquietar-lo perante uma situação de indecisão do que é o que deve fazer e aprender. 

"Aprender a aprender" igual a outro tema muito semelhante, "aprender a pensar", requer dois requisitos indispensáveis para poder se fazer realidade: conteúdos culturais específicos (informação) sobre todos os que exercem estas atividades cognitivas e que estes conteúdos  sejam compartilhados com aquelas pessoas com que vamos se inter-relacionar. Compartilhar informação e conhecimento é o que servirá de estímulo para aprender a pensar, para tirar proveito aos conflitos cognitivos que se geram na comunicação e no trabalho conjunto com outras pessoas.

A geração de novos conhecimentos, o progresso científico, tecnológico, social, cultural se vê facilitado na medida em que estes conhecimentos que as instituições ofereçam aos alunos sejam atuais e relevantes para entender e participar nas sociedades do presente. A aprendizagem e a geração de novos saberes, assim como o favorecimento da criatividade das pessoas, a independência de seus preconceitos, é uma tarefa que requer uma base cultural muito sólida, de forma contrária é fácil que estas pessoas criativas se arisquem a voltar a inventar a roda, ao chegar a conclusões que poderiam chegar com maior rapidez e eficiência si lhes facilitassem o acesso a determinadas informações e experimentos.

Estamos perante estas palavras com significados diversos, e que inclusive dentro do mesmo âmbito de conhecimento, o laboral, é objeto de disputa e variações no que abarca. só como resumo, poderíamos distinguir os seguintes matizes ( Leve diferença entre coisas do mesmo gênero: matizes de opinião. [Figurado] Inclinação política, ideológica, filosófica; cor política: ensaio ou confissão de matiz literário. ) neste conceito:


  • Competência em ecologia, podendo distinguir-se, por sua vez, entre "Competência por interferência" e "Competência por exploração".
  • Competência no marco de algum esporte.
  • Competência jurídica: quem tem autoridade por lei para julgar ou resolver um assunto.
  • Competência administrativa, na solução de um tramite ou documento oficial.
  • Competência econômica, no sentido do direito a competência.
  • Competência como capacidade e eficácia na resolução de um assunto.
  • Competência como autoridade ou domínio que uma pessoa possui em um tema
  • Competência como comportamento de uma organização.
  • Competência linguística, na gramática gerativa, frente a performance Noan CHOMSKY diferencia entre competências e atuação (performance) na hora de distinguir entre a conduta linguística real e observável (atuação) em contraste com um sistema interno de conhecimento que subjace a (competência). As competências desde estas perspectiva se refletem as potencialidades inatas e, por conseguinte, não podem ser operacionadas . Pelo contrário, a atuação, a realização descreve o uso de competências em atos de fala concreta.
  • Competência cognitiva, na psicologia vinculada a etapa de desenvolvimento em que se encontra uma pessoa (Jean PIAGET).
  • Competência comunicativa, na sociolinguística, é referida a produção e interpretação de uma língua  em um contexto social determinado (Dell HYMES).
  • Competência cultural, em antropologia, associada aos tipos de significados disponíveis por pessoas e grupos culturais (Claude LÉVI-STRAUSS). 
Centrando-nos mais em um âmbito educativo, a origem deste conceito está ligado a formação profissional. Os apoios teóricos para sua justificação lhe vieram dados pela psicologia condutivista e de determinados modelos econômicos, especialmente da teoria do capital humano.

Fez sua aparição na década de 70 nos Estados unidos ligado ao movimento da "eficiência social", que por sua vez vinha sendo definido desdas primeiras décadas do século XX (Terry HVIAND, 1993). Este movimento teve John Franklin BOBBITT (1918/2004) como seu principal desenhador, sobre a base de aplicar ao sistema educativo o conhecimento organizacional. A gestão científica da conduta pela qual também apostavam empresas, se via também muitas possibilidades de aplicação no sistema educativo. 

Da mesma forma, um conceito que surge muito vinculado a teoria do capital humano que desenvolve Gary BECKER (1983) na década dos 70. Desde este modelo a educação passa a educação passa a contemplar-se como um conjunto de invenções que realizam as pessoas  com o fim de incrementar sua eficiência produtiva e seus rendimentos.

A noção de capital sobrepuja a ideia de um um estoque imaterial que pode ser acumulado por cada pessoa a título de individual para, seguidamente, poder intercambiar-se no mercado laboral pelo capital econômico. A teoria do capital humano contempla o caráter coletivo do processo de acumulação de conhecimento, convertendo cada indivíduo em um ser que constantemente calcula suas possíveis rendas futuras e, em consequência, toma decisões de trabalhar e de continuar formando-se. a invenção da educação aumentaria  a produtividade e , e por tanto, sua renda futura. Deste modo, se estabelece uma relação causal entre educação, produtividade e rendimentos econômicos. 

Esta classe de filosofias eficientístas onde conseguiram penetrar melhor foi na formação profissional




  



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Formação do Brasil Contemporâneo - Caio Prado Junior - Resumo


Resumo de leitura de texto:
A formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado Junior

Data da leitura: 25 de dezembro de 2017

A primeira parte [a introdução] do livro fala da importância do século XIX, não só porque ele pela transferência da sede da monarquia portuguesa para o Brasil e da emancipação política do país, porém “Ele marca uma etapa decisiva em nossa evolução e inicia em todos os terrenos, social, político e econômico, uma fase nova”.
O texto fala que o século XIX e diz que para o historiador ou qualquer que queira compreender o momento em que vivemos este século é decisivo:
[...] de um lado, ele nos fornece, em balanço final, a obra realizada por três séculos de colonização e nos apresenta o que nela se encontra de mais característico e fundamental, eliminando do quadro ou pelo menos fazendo passar ao segundo plano, o acidental e intercorrente daqueles trezentos anos de história. É uma síntese deles. Doutro lado, constitui uma chave, e chave preciosa e insubstituível para se acompanhar e interpretar o processo histórico posterior e a resultante dele que é o Brasil de hoje.           
O autor comenta ao falar sobre a emancipação política do Brasil:
[...] de um lado, ele nos fornece, em balanço final, a obra realizada por três séculos de colonização e nos apresenta o que nela se encontra de mais característico e fundamental, eliminando do quadro ou pelo menos fazendo passar ao segundo plano, o acidental e intercorrente daqueles trezentos anos de história. É uma síntese deles.
Doutro lado, constitui uma chave, e chave preciosa e insubstituível para se acompanhar e interpretar o processo histórico posterior e a resultante dele que é o Brasil de hoje.

Quando se fala da emancipação política as razões não estão apenas no campo político, mas características sociais e econômicas que estavam esgotadas e necessitavam passar por transformações profundas:

Não é somente o regime de subordinação colonial em que nós achávamos que está em jogo: mas sim o conjunto das instituições, o sistema colonial na totalidade dos seus caracteres econômicos e sociais que se apresenta prenhe de transformações profundas. A obra colonizadora dos portugueses, na base em que assentava, e que em conjunto forma aquele sistema, esgotara suas possibilidades.
Embora as transformações ocorridas no século XIX fossem profundas elas só representam um processo que ainda não está terminado, um processo que ainda está em aberto até nossos dias:

O processo de transformação devia ser mais profundo. E de fato o foi. O Brasil começa a se renovar, e o momento que constitui o nosso ponto de partida neste trabalho que o leitor terá talvez a paciência de acompanhar, é também o daquela renovação. Mas ponto de partida apenas, início de um longo processo histórico que se prolonga até os nossos dias e que ainda não está terminado. Com vaivéns, avanços e recuos, ele se desenrola através de um século e meio de vicissitudes. O Brasil contemporâneo se define assim: o passado colonial que se balanceia e encerra com o século XVIII, mais as transformações que se sucederam no decorrer do centênio anterior a este e no atual. Naquele passado se constituíram os fundamentos da nacionalidade: povoou-se um território semideserto, organizou-se nele uma vida humana que diverge tanto daquela que havia aqui.

“É por isso que para compreender o Brasil contemporâneo, precisamos ir tão longe; e subindo até lá. O leitor não estará se ocupando apenas com devaneios históricos, mas colhendo dados, e dados dispensáveis para interpretar e compreender o meio que o cerca na atualidade.”

Prado Junior, chama a atenção ao dizer que o Brasil de hoje está em franca transformação, que no entanto, não se sedimentou e por isso traços do passado, algo que é um misto do passado colonial que por trezentos anos anterior ao início das transformações já citadas do século XIX ainda se faz presente num país em plena transformação.

[...] o Brasil de hoje, o que salta à vista é um organismo em franco e ativa transformação e que não se sedimentou ainda em linhas definidas; que não "tomou forma". É verdade que em alguns se tores aquela transformação já é profunda e é diante de elementos própria e positivamente novos que nos encontramos [...]Na maior parte dos exemplos, e no conjunto, em todo caso, atrás daquelas transformações que às vezes nos podem iludir, sente-se a presença de uma realidade já muito antiga que até nos admira de aí achar e que não é senão aquele passado colonial.

Ao citar traços coloniais ainda presentes Prado Junior levanta a questão do trabalho assalariado, a questão do Brasil ainda em grande medida produzir predominantemente para o mercado externo, destaco a característica primário exportadora ainda presente em algum nível, especialmente   na agricultura.

Não me refiro aqui unicamente a tradições e a certos anacronismos berrantes que sempre existem em qualquer tempo ou lugar, mas até a caracteres fundamentais da nossa estrutura econômica e social. No terreno econômico, por exemplo, pode-se dizer que o trabalho livre não se organizou ainda inteiramente cm todo o país. Há apenas, em muitas partes dele, um processo de ajustamento em pleno vigor. Um esforço mais ou menos bem sucedido naquela direção, mas que conserva traços bastante vivos do regime escravista que o precedeu. O mesmo poderíamos dizer do caráter fundamental da nossa economia, isto é, da produção extensiva para mercados do exterior, e da correlata falta de um largo mercado interno solidamente alicerçado e organizado

Se dá destaque para esses anacronismos na área social:
No terreno social a mesma coisa. Salvo em alguns setores do país, ainda conservam nossas relações sociais, em particular as de classe, um acentuado cunho colonial. Entre outros casos, estas diferenças profundas que cindem a população rural entre nós em categorias largamente díspares; disparidade que não é apenas no nível material de vida, já inteiramente desproporcionado, mas sobretudo no estatuto moral respectivo de umas e outras e que nos projeta inteiramente para o passado.