quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Formação do Brasil Contemporâneo - Caio Prado Junior - Resumo


Resumo de leitura de texto:
A formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado Junior

Data da leitura: 25 de dezembro de 2017

A primeira parte [a introdução] do livro fala da importância do século XIX, não só porque ele pela transferência da sede da monarquia portuguesa para o Brasil e da emancipação política do país, porém “Ele marca uma etapa decisiva em nossa evolução e inicia em todos os terrenos, social, político e econômico, uma fase nova”.
O texto fala que o século XIX e diz que para o historiador ou qualquer que queira compreender o momento em que vivemos este século é decisivo:
[...] de um lado, ele nos fornece, em balanço final, a obra realizada por três séculos de colonização e nos apresenta o que nela se encontra de mais característico e fundamental, eliminando do quadro ou pelo menos fazendo passar ao segundo plano, o acidental e intercorrente daqueles trezentos anos de história. É uma síntese deles. Doutro lado, constitui uma chave, e chave preciosa e insubstituível para se acompanhar e interpretar o processo histórico posterior e a resultante dele que é o Brasil de hoje.           
O autor comenta ao falar sobre a emancipação política do Brasil:
[...] de um lado, ele nos fornece, em balanço final, a obra realizada por três séculos de colonização e nos apresenta o que nela se encontra de mais característico e fundamental, eliminando do quadro ou pelo menos fazendo passar ao segundo plano, o acidental e intercorrente daqueles trezentos anos de história. É uma síntese deles.
Doutro lado, constitui uma chave, e chave preciosa e insubstituível para se acompanhar e interpretar o processo histórico posterior e a resultante dele que é o Brasil de hoje.

Quando se fala da emancipação política as razões não estão apenas no campo político, mas características sociais e econômicas que estavam esgotadas e necessitavam passar por transformações profundas:

Não é somente o regime de subordinação colonial em que nós achávamos que está em jogo: mas sim o conjunto das instituições, o sistema colonial na totalidade dos seus caracteres econômicos e sociais que se apresenta prenhe de transformações profundas. A obra colonizadora dos portugueses, na base em que assentava, e que em conjunto forma aquele sistema, esgotara suas possibilidades.
Embora as transformações ocorridas no século XIX fossem profundas elas só representam um processo que ainda não está terminado, um processo que ainda está em aberto até nossos dias:

O processo de transformação devia ser mais profundo. E de fato o foi. O Brasil começa a se renovar, e o momento que constitui o nosso ponto de partida neste trabalho que o leitor terá talvez a paciência de acompanhar, é também o daquela renovação. Mas ponto de partida apenas, início de um longo processo histórico que se prolonga até os nossos dias e que ainda não está terminado. Com vaivéns, avanços e recuos, ele se desenrola através de um século e meio de vicissitudes. O Brasil contemporâneo se define assim: o passado colonial que se balanceia e encerra com o século XVIII, mais as transformações que se sucederam no decorrer do centênio anterior a este e no atual. Naquele passado se constituíram os fundamentos da nacionalidade: povoou-se um território semideserto, organizou-se nele uma vida humana que diverge tanto daquela que havia aqui.

“É por isso que para compreender o Brasil contemporâneo, precisamos ir tão longe; e subindo até lá. O leitor não estará se ocupando apenas com devaneios históricos, mas colhendo dados, e dados dispensáveis para interpretar e compreender o meio que o cerca na atualidade.”

Prado Junior, chama a atenção ao dizer que o Brasil de hoje está em franca transformação, que no entanto, não se sedimentou e por isso traços do passado, algo que é um misto do passado colonial que por trezentos anos anterior ao início das transformações já citadas do século XIX ainda se faz presente num país em plena transformação.

[...] o Brasil de hoje, o que salta à vista é um organismo em franco e ativa transformação e que não se sedimentou ainda em linhas definidas; que não "tomou forma". É verdade que em alguns se tores aquela transformação já é profunda e é diante de elementos própria e positivamente novos que nos encontramos [...]Na maior parte dos exemplos, e no conjunto, em todo caso, atrás daquelas transformações que às vezes nos podem iludir, sente-se a presença de uma realidade já muito antiga que até nos admira de aí achar e que não é senão aquele passado colonial.

Ao citar traços coloniais ainda presentes Prado Junior levanta a questão do trabalho assalariado, a questão do Brasil ainda em grande medida produzir predominantemente para o mercado externo, destaco a característica primário exportadora ainda presente em algum nível, especialmente   na agricultura.

Não me refiro aqui unicamente a tradições e a certos anacronismos berrantes que sempre existem em qualquer tempo ou lugar, mas até a caracteres fundamentais da nossa estrutura econômica e social. No terreno econômico, por exemplo, pode-se dizer que o trabalho livre não se organizou ainda inteiramente cm todo o país. Há apenas, em muitas partes dele, um processo de ajustamento em pleno vigor. Um esforço mais ou menos bem sucedido naquela direção, mas que conserva traços bastante vivos do regime escravista que o precedeu. O mesmo poderíamos dizer do caráter fundamental da nossa economia, isto é, da produção extensiva para mercados do exterior, e da correlata falta de um largo mercado interno solidamente alicerçado e organizado

Se dá destaque para esses anacronismos na área social:
No terreno social a mesma coisa. Salvo em alguns setores do país, ainda conservam nossas relações sociais, em particular as de classe, um acentuado cunho colonial. Entre outros casos, estas diferenças profundas que cindem a população rural entre nós em categorias largamente díspares; disparidade que não é apenas no nível material de vida, já inteiramente desproporcionado, mas sobretudo no estatuto moral respectivo de umas e outras e que nos projeta inteiramente para o passado.

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